Café tomba mais de 3% em Nova York nesta 5ª, produtor recua e trava o mercado físico no Brasil
O mercado futuro do café encerrou a quinta-feira (27) com mais um fechamento fortemente negativo na Bolsa de Nova York, dando continuidade ao cenário de intensa volatilidade que tem marcado a semana. O forte vai e vem das cotações internacionais aumentou a insegurança entre os agentes, afastando compradores e vendedores no mercado físico brasileiro e limitando de forma significativa o volume de negócios.
A pressão vendedora continuou ditando o ritmo nas bolsas internacionais. Em Nova York, o pregão desta quinta-feira confirmou o tom negativo que já havia assustado o mercado na quarta-feira (26), e os futuros do arábica encerraram o dia perdendo mais de 2,3% a 3,3% nas posições mais negociadas. Assim, o dzembro/26 terminou a sessão com 311,40 cents de dólar por libra-peso, enquanto o maio/27 foi a 296,75 cents/lb.
Os fundamentos de oferta seguem apertados — os estoques certificados de arábica na ICE acumulam perdas de quase 54% em 2026, estacionando na faixa de 224 mil sacas —, mas, neste momento, esse fator tem sido ofuscado pela forte liquidação técnica e pela instabilidade financeira. O dólar oscilando acima de R$ 5,15 também entra na conta da volatilidade.
"Um cenário de alta no mercado de ações drenou ainda mais o capital de operações baseadas no medo da oferta de commodities, deixando os contratos futuros de arábica sem um piso significativo para conter a queda", afirmaram os analistas de mercado ouvidos pelo portal Investing.com.
MERCADO BRASILEIRO TEM APENAS NEGÓCIOS PONTUAIS
No Brasil, a queda em Nova York teve impacto imediato nas praças de comercialização. Com as bolsas caindo, os compradores reduziram substancialmente o valor de suas ofertas. Do outro lado, o produtor — que tem demonstrado forte capacidade de retenção — recusou as novas bases de preço oferecidas, preferindo se afastar do mercado.
O resultado é um travamento na liquidez. Segundo analistas, o produtor aguarda um cenário mais nítido para as próximas semanas e tem vendido estritamente o necessário para cumprir compromissos financeiros de curto prazo.
No mercado físico de arábica tipo 6 bebida dura, as perdas foram de até 4,3%, como foi o caso de Varginha/MG, onde o preço fechou o dia com R$ 1767,00 por saca. No cereja descascado, a queda também foi expressiva, semelhantes e de 4,1% na praça de Campos Gerais/MG, para R$ 1867,00.
Além das cotações em tela, as atenções do cafeicultor se voltam para as lavouras. A aproximação de uma frente fria trouxe chuvas entre 10 e 15mm para importantes áreas produtoras, como Alta Mogiana (SP), Sul e Zona da Mata de Minas Gerais e o Cerrado Mineiro.
Essas precipitações trazem impactos duplos. No curtíssimo prazo, interrompem temporariamente as etapas finais de colheita e secagem do café, com especialistas alertando para o risco na qualidade dos grãos finais (maior incidência de bebida inferior) devido à umidade e à falta de luminosidade.
Por outro lado, olhando para o futuro, a chuva traz alívio imediato para o estresse hídrico do solo após meses de seca, sendo fundamental para o pegamento das primeiras floradas da safra 2027/28. Contudo, institutos de meteorologia como a Climatempo alertam: o clima deve seguir alternando chuvas isoladas com picos de calor forte. Esse padrão é perigoso para as plantas, pois pode estimular floradas desuniformes e aumentar o risco de abortamento dos botões florais, mantendo um ponto de interrogação sobre o potencial produtivo do Brasil para o próximo ciclo.
0 comentário
Maquinários agrícolas ganham destaque na 21ª Fecon
Café tomba mais de 3% em Nova York nesta 5ª, produtor recua e trava o mercado físico no Brasil
Preços do café caem mais de 4% em NY nesta 4ª (26) com perspectiva de aumento da oferta de café no Brasil
Feira Cocatrel de Negócios traz operação Barter como condição especial e vantajosa de pagamento
Cooperados da Cooxupé chegam a 87,5% da colheita de café
Café/Cepea: Colheita do arábica avança, mas qualidade dos lotes preocupa