Café dispara em NY nesta 2ª feira, com com estoques baixos e risco climático ainda no radar

Além do volume, qualidade dos grãos também é ponto determinante
Publicado em 24/08/2026 12:36

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Os preços do café arábica dispararam na Bolsa de Nova Iorque nesta segunda-feira (24), testando ganhos de mais de 5% aos longo dos negócios até aqui. O mercado retoma o movimento de alta após a realização de lucros observada no encerramento da semana passada, precificando um cenário de oferta mais apertada no curto prazo, com os estoques certificados em níveis historicamente baixos e novas preocupações relacionadas ao clima no Brasil.

Assim, por volta de 12h15 (horário de Brasília), as cotações subiam entre 3,7% e 4,5% nos contratos mais negociados, levando o dezembro a 337 cents por libra-peso, enquanto o março/27 tinha 322,20 centavos de dólar. 

Segundo explicam analistas e consultores de mercado, a atenção neste início de semana está especialmente concentrada na relação entre estoques disponíveis, ritmo de chegada da nova safra e risco climático para a próxima produção. O cenário deixa os agentes mais sensíveis a qualquer notícia que possa comprometer a oferta ou a qualidade do café brasileiro.

De acordo com a análise de Fabiano Odebrecht, o início da semana ocorre em um ambiente de tensão justamente pela combinação entre estoques baixos e risco climático durante o mês de agosto. A leitura reforça que, embora a expectativa seja de uma safra brasileira volumosa, o mercado segue preocupado com a disponibilidade imediata e com as condições para a formação da próxima safra.

Um dos principais pontos de sustentação para as cotações continua sendo o nível dos estoques certificados pela ICE. Na última sexta-feira, eles estavam em 227.992 sacas, patamar considerado bastante reduzido para uma commodity com a importância do café arábica no comércio internacional.

A situação ganha ainda mais relevância porque o mercado precisa recompor esses estoques justamente em um momento de transição entre safras. A chegada de uma produção brasileira maior pode aliviar a disponibilidade ao longo dos próximos meses, mas os problemas de qualidade e o ritmo de comercialização podem limitar esse efeito no curto prazo.

Ademais, a produção da Colômbia deverá ser, aproximadamente, 8% menor do que a da safra anterior, alcançando apenas 12,5 milhões de sacas, o que atua como mais um fator de alta para os preços nas bolsas internacionais. 

Além disso, a expectativa de uma safra brasileira recorde não elimina os riscos para determinados tipos de café. As chuvas intensas registradas em regiões produtoras brasileiras durante a colheita prejudicaram a qualidade de parte dos grãos, podendo reduzir a disponibilidade de cafés de qualidade mais elevada.

“É importante aproveitar o período de tempo firme para avançar e, sempre que possível, concluir essa operação antes de um eventual retorno das chuvas, reduzindo os riscos de perdas de produção e de qualidade dos frutos que permanecem no solo”, explicam os técnicos da Expocacer.

O cenário, portanto, permanece marcado por elevada volatilidade, com os agentes acompanhando de perto a evolução da colheita brasileira, a recomposição dos estoques certificados e qualquer mudança nas previsões climáticas para as regiões produtoras.

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Por:
Carla Mendes | Instagram @jornalistacarlamendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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