Café fecha em alta em Nova York ainda refletindo preocupações com a Colômbia; preços sobem também no BR

Publicado em 12/08/2026 18:00

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O café registrou mais uma sessão de altas na Bolsa de Nova Iorque nesta quarta-feira (12). Os principais vencimentos terminaram o dia com ganhos de 375 a 435 pontos, levando o dezembro a 319,95 e o março a 310,05 cents de dólar por libra-peso. 

O movimento reforçou os temores de interrupções na oferta e na logística de exportação da Colômbia, importante fornecedor mundial de cafés arábica, depois do agressivo terremoto que acometeu o país na última segunda-feira (10). O tremor foi um dos mais agressivos dos últimos anos e atingiu em cheio a região cafeeira colombiana.

Os prejuízos alcançaram, pelo menos, um quarto das áreas de produção na Colômbia e, além dos danos à infraestrutura, os impactos sobre a logística aumentaram a cautela entre os participantes do mercado. De acordo com informações do portal internacional Barchart, a empresa de transporte marítimo Maersk informou que as operações no terminal de Buenaventura, principal ponto de saída das exportações de café da Colômbia, foram temporariamente suspensas. O fechamento de estradas e restrições ao tráfego também podem dificultar a movimentação das cargas no interior do país.

Além da situação colombiana, o mercado encontra sustentação nos estoques certificados de arábica monitorados pela ICE, que ainda seguem bastante ajustados. Os volumes recuaram para 240.285 sacas, o menor nível em aproximadamente dois anos e nove meses, também de acordo com dados levantados pelo Barchart, acrescentando um componente de aperto à oferta disponível no curto prazo.

No Brasil, outro fator observado pelos agentes é o ritmo da colheita. Segundo dados da Cooxupé, os trabalhos haviam alcançado 74,6% da área até 7 de agosto, abaixo dos 80,4% registrados no mesmo período do ano passado. O avanço mais lento da colheita ajuda a limitar a disponibilidade imediata de café no mercado.

Por outro lado, a previsão de chuvas abaixo da média em Minas Gerais pode permitir uma aceleração dos trabalhos nas próximas semanas, o que representa um fator de pressão sobre as cotações.

O mercado permanece atento às condições climáticas para a próxima safra brasileira. A possibilidade de atuação do fenômeno El Niño aumenta as preocupações para o período de florada, especialmente entre setembro e outubro, quando a distribuição das chuvas será determinante para o desenvolvimento das lavouras.

PREÇOS SOBEM TAMBÉM NO BRASIL

Com as altas em Nova York e mais o dólar valorizado frente ao real, os preços do café subiram também no mercado brasileiro. 

Para o tipo 6 bebiba corrida, os ganhos variaram de 0,5% a 2,2% entre algumas das principais praças de comercialização pesquisadas pelo Notícias Agrícolas. As referências variam de R$ 1780,00  a R$ 1870,00 por saca. Já para o cereja descascado as altas foram também de mais de 1%, levando a referência em Guaxupé a R$ 1890,00 e em Varginha a R$ 1950,00 por saca. 

"O mercado físico brasileiro de arábica continua bastante procurado, com muito interesse comprador para todos os padrões de café", afirmou Eduardo Carvalhaes, diretor do Escritório Cavalhaes. "Um grande número de produtores recusa as bases de preço oferecidas pelos compradores. Adiam vendas, aguardando um quadro mais claro do cenário para os próximos meses. Vendem apenas o necessário para cumprir os compromissos mais próximos". 

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Por:
Carla Mendes | Instagram @jornalistacarlamendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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