Café cai mais de 500 pontos em Nova York e preços também recuam no mercado brasileiro

Referências domésticas perderam mais de 2,4% somente nesta 5ª feira
Publicado em 06/08/2026 17:22

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Os preços do café arábica voltaram a fechar em baixa na Bolsa de Nova York nesta quinta-feira (6), pressionados pela melhora das condições climáticas nas principais regiões produtoras do Brasil, que favorece o avanço da colheita e amplia a expectativa de maior oferta física nas próximas semanas. 

As perdas foram de mais de 500 pontos nos principais vencimentos, levando o setembro a 321,65 centavos de dólar por libra-peso, o dezembro a 306,10 e o março/27 a 297,30 cents/lb. 

O mercado, além de sentir a pressão do clima um pouco melhor para o desenvolvimento dos trabalhos de campo, devolveu parte dos ganhos da sessão anterior e segue caminhando com muita volatilidade, tanto o arábica negociado na bolsa norte-americana, quanto o robusta na Bolsa de Londres. 

Apesar do movimento negativo, as perdas encontraram um limite diante do cenário ainda apertado da oferta global e da demanda que segue consistente no mercado internacional. E mais do que isso, nas previsões que indicam que mais chuvas podem voltara a acometer importantes regiões produtoras de café nos próximos dias. Como explicaram analistas e consultores, o mercado trabalha sem uma direção única e bem definida. 

"Episódios de chuva de forma isolada podem atingir áreas produtoras do interior de São Paulo a partir de quarta-feira e se intensificam entre quinta e sexta-feira, acompanhadas de rajadas fortes. Até a sexta-feira as pancadas deve atingir partes da Alta Mogiana. Essas condições podem interromper temporariamente a colheita e a secagem dos grãos", traz o boletim diário do Escritório Carvalhaes. 

O mercado acompanhou a previsão de tempo mais seco nas áreas cafeeiras brasileiras, especialmente em Minas Gerais e São Paulo, condição considerada ideal para acelerar os trabalhos de campo e reduzir os atrasos registrados anteriormente. Com isso, operadores passaram a incorporar um fluxo maior de café chegando ao mercado, estimulando a realização de lucros e novas vendas por parte dos fundos.

"O tempo seco e baixa umidade seguem predominando no Cerrado e interior Mineiro, favorecendo a colheita, a secagem e o transporte dos grãos. Entre o Espírito Santo, sul da Bahia e até parte da Zona da Mata Mineira há previsão de episódios isolados e rápidos de chuva. As temperaturas tendem a ficar em elevação e não há risco de extremos em áreas de café", complementa o escritório, com informações da Climatempo. 

Analistas e consultores destacam que o espaço para quedas mais intensas permanece limitado. Isso porque os estoques globais continuam relativamente ajustados, enquanto importantes origens produtoras ainda enfrentam restrições de oferta em relação ao potencial histórico. Ao mesmo tempo, o consumo mundial segue resiliente, sustentado pela demanda da indústria e dos principais mercados importadores.

BAIXAS TAMBÉM NO MERCADO INTERNO

Nas praças de comercialização pesquisadas pelo Notícias Agrícolas, os preços do café também cederam. As perdas na Bolsa de Nova Iorque se somaram à queda do dólar e, no caso do cereja descascado, por exemplo, as perdas chegaram a 2,4%, como foi o caso de Guaxupé/MG, onde a saca foi a R$ 1828,00. No tipo 6 bebida dura, em Campos Gerais o recuo foi de 2,46% para R$ 1786,00 por saca. 

"O mercado físico brasileiro de arábica continua bastante procurado, com muito interesse comprador para todos os padrões de café. As fortes oscilações diárias nos contratos de arábica na ICE americana dificultam bastante o fechamento de negócios no mercado físico. Os vendedores recusam as bases de preço oferecidas pelos compradores e adiam vendas, aguardando um quadro mais claro do cenário para os próximos meses. Vendem apenas o necessário para cumprir os compromissos mais próximos", afirma o diretor do Escritório Carvalhaes, Eduardo Carvalhaes.  

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Por:
Carla Mendes | Instagram @jornalistacarlamendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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