Empresa vende cafés produzidos por mulheres do Cerrado Mineiro na China

“Donna Jannie” firmou parceria com Expocacer para comercializar produtos do programa “Elas no Café” no mercado chinês, valorizando o trabalho e as produtoras com seus nomes nas embalagens
Publicado em 09/07/2026 14:38

A empresa chinesa Donna Jannie, da empresária Jian Xueya, firmou parceria com a Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer) para importar cafés cultivados por mulheres do programa Elas no Café. Essa remessa, com microlotes especiais e “fine cup”, deixou o Brasil no dia 17 de junho e chegará a Shanghai em 30 de julho.

Jian, carinhosamente apelidada “Dona Jane” – que originou o nome de sua empresa – quando morou no Brasil, conta que a parceria mira o longo prazo, com a intenção de realizar importações todos os meses, construindo um laço com a Expocacer para adquirir, principalmente, os cafés produzidos pelas cooperadas do Cerrado Mineiro.

“Esses lotes do Elas no Café são para comercializar através da minha marca Lady Coffees, na qual incluo o nome de cada produtora do Cerrado Mineiro nas embalagens visando valorizar o seu trabalho e as próprias mulheres. Através de um parceiro, que faz a torra dos grãos, esses cafés também serão distribuídos a cafeterias espalhadas por toda a China”, explica.

Com atuação focada nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização as Nações Unidas (ONU), a Expocacer conta com 140 mulheres no programa Elas no Café, que representam cerca de 20% do quadro de associados. A cooperativa segue incentivando a participação feminina em seu escopo, indo ao encontro do Objetivo 5, que é a “Igualdade de gênero”. Essas associadas, hoje, estão envolvidas com a produção de 534.080 sacas de 60 kg de café, cultivados em uma área de 13.440 hectares.

A gerente de Cafés Especiais da Expocacer, Sandra Moraes, revela que a exportação à China inclui quatro lotes diferentes produzidos pelas associadas Celia Regina Alves Nunes, da Fazenda Claudio; Mariana Velloso Heitor, da Fazenda Gigante Leal; Sarah Mendes Nascimento, da Fazenda São Pedro de Alcântara; e Vera de Oliveira Nunes Figueiredo, da Fazenda Freitas.

“São cafés especiais selecionados e organizados em microlotes, cada um com um perfil sensorial único, elegante e diferenciado. Essa seleção foi desenvolvida conforme a solicitação da senhora ‘Jannie’, que buscava um produto mais delicado e com maior diversidade de sabores, permitindo atender aos diferentes perfis de consumidores do mercado chinês”, diz.

MERCADO CHINÊS
Sandra enxerga o mercado chinês como uma das maiores oportunidades de crescimento para o consumo de café no mundo, pois, embora incipiente e com baixo índice per capita na comparação com mercados tradicionais, cresce rapidamente, muito impulsionado pela adoção de hábitos de consumo entre os jovens.

“A evolução do consumo de café na China e a valorização de produtos de alta qualidade abrem oportunidades promissoras para ampliarmos a presença do café brasileiro nesse mercado, por isso enxergamos um potencial extraordinário de crescimento. Estamos construindo uma trajetória promissora em um dos mercados mais estratégicos do mundo”, celebra.

Ela reforça que a parceria entre Expocacer e Donna Jannie nasce com uma visão de longo prazo e será fundamental para promover o trabalho das cooperadas. “Essa sinergia ajudará a consolidar o reconhecimento da qualidade, da origem e da excelência dos cafés que nossas mulheres produzem de forma totalmente sustentável, com respeito a pessoas e ao meio ambiente”, assegura.

Jian Xueya menciona uma mudança de comportamento que vem ocorrendo nos hábitos de consumo em seu país natal, com os chineses aumentando a ingestão da bebida a cada dia, principalmente em Shanghai, onde o consumo de café puro já é uma realidade, principalmente do produto especial, como o adquirido junto à Expocacer.

“(Por isso) busquei o Cerrado Mineiro, porque conheço a qualidade. Na China sempre se trabalhou com preço mais baixo, mas quero trabalhar com excelência. É mais caro, mas é bom. Quando comecei a trabalhar com café especial, o público questionava o preço, porém, hoje, o consumidor chinês já entende a diferença entre uma bebida convencional e uma especial e está convencido que vale à pena, já sabe o valor do café especial”, relata.

A empresária também esclarece que o consumo na China não é como no Brasil, com o país asiático ainda vendendo mais café misturado com leite ou outras bebidas, mas que a demanda pelo especial é crescente, bem maior do que anos atrás.

“Os chineses aprenderam a apreciar esse produto diferenciado. Assim que recebermos o café da Expocacer, faremos sessões de cupping aos clientes para mostrarmos a eles a qualidade. Certamente ajudaremos a ampliar o consumo desse produto, tanto que já temos previsão para novos pedidos maiores do Elas no Café nos próximos meses”, declara.

O INÍCIO
A proprietária da Donna Jannie conta que o interesse pelo produto surgiu em 2022, quando, no Brasil, conheceu o programa Elas no Café, em visita à Expocacer. “Esse projeto me tocou muito, porque mostrou algo que muitas vezes fica escondido: por trás de cada café existe uma família, uma fazenda e, muitas vezes, uma mulher forte, dedicada e essencial para toda a cadeia produtiva. Achei muito interessante quando conheci os cafés das mulheres e isso me motivou a estender a iniciativa na China”, diz.

Jian revela que criou uma linha de produtos para esses cafés especiais da Expocacer, na qual cada um leva o nome de uma mulher produtora ou representante da fazenda.

“A ideia é que o consumidor chinês não conheça apenas o sabor do café, mas também a sua origem, a história da propriedade e a mulher por trás daquele produto”, afirma.

A empresária menciona que o Brasil exporta bastante café para a China, mas muitos consumidores chineses ainda não sabem se o café que estão bebendo é brasileiro.

“Como tenho uma ligação muito profunda com o Brasil, tendo vivido muitos anos aí, considero o país a minha segunda casa e tenho um carinho enorme por tudo o que ele representa. Por isso, mesmo sabendo das dificuldades, quis começar esse projeto. A Lady Coffees não é apenas uma marca de café, é uma ponte entre o Brasil e a China, é uma forma de apresentar ao consumidor chinês o melhor do café brasileiro, valorizando também as mulheres que fazem parte dessa história”, exclama.

Segundo ela, a intenção é ampliar a linha de produtos no futuro, trazendo mais cafés de diferentes fazendas, promovendo degustações, eventos culturais e encontros entre produtores brasileiros e consumidores chineses. O objetivo, esclarece, é fazer com que mais chineses conheçam o café brasileiro não apenas como uma commodity, mas como um produto com identidade, qualidade, origem e história.

“Quero continuar fiel ao meu propósito inicial, que é compartilhar o melhor do Brasil com a China e fazer com que cada xícara de café conte uma história. A Lady Coffees não vende apenas café, ela apresenta uma mulher, uma fazenda, uma origem e uma história do Brasil para o consumidor chinês. Não sei se esse caminho será fácil, mas sei que tem significado e, para mim, isso já é motivo suficiente para continuar”, conclui.

CAFÉS DO BRASIL NA CHINA
Em 2025, de acordo com dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), a China importou 1,123 milhão de sacas de 60 kg do produto nacional, o que representou 2,8% dos embarques cafeeiros totais e colocou a nação asiática na 10ª colocação no ranking dos principais destinos do produto no ano passado.

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Fonte:
Expocacer

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