Café fecha em queda, mas atraso histórico da colheita acende alerta sobre oferta e qualidade da safra
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Os preços do café encerraram a sessão desta quarta-feira (8) em queda nas bolsas internacionais, pressionados pelo avanço da colheita brasileira. Apesar do movimento de baixa, os fundamentos do mercado seguem no radar dos operadores, principalmente diante do atraso dos trabalhos em campo, da preocupação com a qualidade dos grãos e dos primeiros reflexos das chuvas atípicas sobre o próximo ciclo produtivo.
Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), o contrato julho/26 fechou cotado a 324,25 cents por libra-peso, com baixa de 735 pontos. O setembro/26 encerrou a 309,80 cents/lbp, recuo de 780 pontos, enquanto o dezembro/26 terminou a 297,25 cents/lbp, perda de 775 pontos.
Na ICE Europe, o robusta também fechou em queda. O contrato julho/26 encerrou negociado a US$ 3.761 por tonelada, com desvalorização de 131 pontos. O setembro/26 terminou a US$ 3.741 por tonelada, baixa de 131 pontos, e o novembro/26 fechou a US$ 3.712 por tonelada, recuo de 127 pontos.
O movimento de realização de lucros ocorre em um momento em que a colheita volta a ganhar ritmo nas principais regiões produtoras, favorecida pelo predomínio do tempo seco. Ainda assim, o mercado continua atento aos atrasos acumulados ao longo de junho, que seguem limitando o avanço da safra em diversas áreas cafeeiras.
Levantamento da Faemg Senar mostra que o Sul de Minas, maior região produtora de café arábica do Brasil, chegou à metade do calendário da colheita com apenas 30% da produção colhida, percentual muito inferior aos 52% registrados no mesmo período da safra passada.
O principal fator para o atraso foi o excesso de chuvas durante junho. Dados da Fundação Procafé apontam que Varginha registrou 64 milímetros de precipitação no mês, volume duas vezes superior à média histórica de 32,4 milímetros, registrada desde 1974.
As chuvas interromperam a colheita em todas as propriedades acompanhadas pelo levantamento. Em 47% delas, a paralisação durou até dez dias; em outros 43% dos casos, até cinco dias; e em 9% das propriedades, os trabalhos ficaram suspensos por mais de dez dias.
Segundo Guilherme Ferreira Marques, supervisor do Programa ATeG da Faemg Senar, as interrupções não afetam apenas o ritmo da colheita, mas também podem comprometer a qualidade do café.
"A chuva provoca queda dos frutos no chão e atrasa a secagem dos grãos. Esse excesso de umidade favorece o ataque de fungos e pode reduzir a qualidade da bebida", explica.
Outro ponto que passou a preocupar o setor é a ocorrência de floração antecipada. O levantamento identificou o fenômeno em pelo menos 213 propriedades, consequência das chuvas fora de época registradas durante a colheita. Embora ainda seja cedo para mensurar os impactos, o comportamento das lavouras aumenta a atenção sobre o potencial produtivo da safra 2027/28.
O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) também destaca que, apesar da retomada dos trabalhos neste início de julho, várias regiões produtoras ainda não atingiram metade da colheita, cenário que mantém o mercado atento à evolução da oferta nas próximas semanas.
Enquanto a entrada de café novo tende a pressionar as cotações no curto prazo, os atrasos da colheita, as incertezas sobre a qualidade dos grãos e os possíveis efeitos climáticos sobre o próximo ciclo continuam limitando movimentos mais intensos de baixa e mantendo os participantes do mercado atentos ao desenvolvimento da safra brasileira.
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