Café fecha em queda nas bolsas, mas estoques apertados e riscos climáticos seguem no radar do mercado
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Os mercados futuros do café encerraram esta terça-feira (9) em baixa nas bolsas internacionais, pressionados pelo avanço da colheita brasileira e pela expectativa de maior oferta nas próximas semanas. Apesar da retração dos preços, especialistas destacam que os fundamentos de longo prazo continuam sustentados por estoques globais reduzidos e incertezas climáticas para as próximas safras.
Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), o café arábica encerrou a sessão em campo negativo. O contrato setembro/26, referência para o mercado, fechou cotado a 241,85 cents/lbp, com baixa de 75 pontos. O vencimento julho/26 recuou 150 pontos, encerrando a 245,50 cents/lbp, enquanto o contrato dezembro/26 perdeu 45 pontos, negociado a 234,60 cents/lbp.
Em Londres (ICE Futures Europe), os contratos do café robusta também registraram desvalorização. O vencimento julho/26 caiu US$ 40, fechando a US$ 3.293 por tonelada. O contrato setembro/26 perdeu US$ 30, encerrando a US$ 3.230 por tonelada, enquanto o novembro/26 recuou US$ 28, para US$ 3.161 por tonelada.
Segundo o analista de mercado Eduardo Carvalhaes, o atual movimento de baixa está diretamente relacionado à entrada da nova safra brasileira, que leva compradores internacionais a adotarem uma postura mais cautelosa.
"Os compradores estão olhando principalmente o curto prazo. Eles acreditam que, com a entrada de uma boa safra brasileira, poderão comprar café mais barato e, por isso, adiam novas aquisições", explicou.
Mercado ignora riscos de longo prazo
Na avaliação do analista, a atenção excessiva à colheita brasileira acaba reduzindo o peso dado a fatores estruturais que continuam preocupando o mercado, especialmente a baixa disponibilidade global de café.
Carvalhaes ressalta que, mesmo diante das estimativas mais otimistas para a produção brasileira de 2026, o mundo seguirá dependente do café produzido no Brasil.
"O mercado trabalha com a expectativa de uma safra grande, mas a relação entre oferta e demanda continua apertada. Não existe café sobrando no mundo e não se vislumbra, no curto prazo, a formação de estoques confortáveis", afirmou.
O especialista destaca que as exportações brasileiras devem permanecer elevadas no próximo ciclo, enquanto o consumo mundial continua crescendo, ainda que de forma gradual. O avanço do consumo em países asiáticos, especialmente na China, permanece como um dos principais fatores de sustentação da demanda global.
Oferta de arábica ainda é limitada
Embora a colheita esteja avançando, Carvalhaes lembra que a disponibilidade de café arábica da nova safra ainda não é abundante no mercado físico.
De acordo com ele, os primeiros lotes colhidos costumam estar comprometidos com contratos previamente negociados, o que limita a oferta imediata para exportação.
"A partir de junho a colheita ganha ritmo, mas apenas em agosto teremos uma oferta mais normalizada de arábica no mercado", destacou.
No mercado interno, a comercialização também segue lenta. Muitos produtores continuam segurando parte dos volumes disponíveis na expectativa de uma recuperação dos preços, o que reduz a liquidez dos negócios.
Clima segue como principal fator de atenção
Além da questão dos estoques, o clima permanece como uma das maiores preocupações para o setor cafeeiro.
O analista avalia que o mercado ainda não está precificando integralmente os riscos associados à possibilidade de formação de um fenômeno El Niño mais intenso nos próximos meses. Caso se confirme, o evento poderá impactar importantes regiões produtoras ao redor do mundo.
No Brasil, os efeitos poderiam incluir atraso das chuvas e temperaturas mais elevadas no Sudeste, justamente onde se concentra grande parte da produção nacional de café.
"Tudo o que o mundo não precisa neste momento é de uma quebra na safra brasileira de 2027. O mercado está acompanhando o clima, mas ainda espera sinais mais concretos para incorporar esses riscos aos preços", observou.
Granizo preocupa produtores, mas impacto nacional ainda é incerto
Sobre as chuvas de granizo registradas no Sul de Minas no fim de maio, Carvalhaes reconhece que os danos podem ser severos para as propriedades atingidas, mas considera prematuro afirmar que haverá reflexos significativos na produção brasileira como um todo.
"O granizo é um desastre para quem recebe a ocorrência na lavoura. Em alguns casos pode comprometer fortemente a safra seguinte. Mas ainda é cedo para medir impactos sobre a produção nacional", explicou.
Segundo ele, o potencial produtivo da safra 2027 dependerá da combinação de diversos fatores climáticos ao longo dos próximos meses, incluindo inverno, risco de geadas, floradas e regime de chuvas durante o verão.
Diante desse cenário, o mercado segue dividido entre a pressão de curto prazo provocada pela chegada da safra brasileira e as incertezas relacionadas ao abastecimento global nos próximos anos. Enquanto a colheita avança, investidores continuam monitorando de perto os desdobramentos climáticos e a evolução dos estoques mundiais, fatores que poderão voltar a dar suporte às cotações nos próximos meses.
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