Projeto pioneiro usa gás natural na secagem de café e impulsiona inovação no Espírito Santo

Publicado em 15/05/2026 15:55
Testes começam em maio, na colheita do conilon, em fazenda de Linhares com foco em qualidade, eficiência e sustentabilidade

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Com o início da colheita do café conilon marcado para 14 de maio, o Espírito Santo dá largada a um projeto inédito que pode transformar uma das etapas mais decisivas da produção cafeeira: a secagem dos grãos, agora testada com o uso de gás natural. A iniciativa faz parte de um projeto de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da ES Gás, aprovado pela Agência de Regulação de Serviços Públicos do Espírito Santo (ARSP).

Os testes serão realizados na Fazenda Chapadão, em Linhares, propriedade do produtor Eduardo Bortolini, em condições reais de safra. A operação permitirá avaliar, na prática, o desempenho do gás natural como alternativa às fontes tradicionais utilizadas no processo de secagem.

A iniciativa é conduzida em parceria com o Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), principal articulador do projeto junto ao setor produtivo capixaba. A proposta acompanha o movimento de modernização da cafeicultura, em que qualidade, padronização e sustentabilidade ganham cada vez mais peso na competitividade do produto.

“A cafeicultura capixaba — especialmente a produção de conilon — é hoje reconhecida entre as mais modernas e tecnificadas do mundo, destacando-se pela rápida adoção de inovação, elevada produtividade e crescente foco em qualidade. Esse cenário nos coloca em posição estratégica para ampliar, nos próximos anos, a oferta de cafés brasileiros ao mercado internacional. A etapa da secagem ainda representava um dos principais desafios para ganhos mais expressivos de qualidade na exportação, mas, com este projeto, damos um passo decisivo para superar essa barreira. A utilização do gás natural no processo de secagem tem potencial para elevar significativamente o padrão do café capixaba, agregando valor ao produto, ampliando as oportunidades de exportação para os produtores e fortalecendo a liquidez e a competitividade do nosso mercado. Estamos diante de uma inovação com capacidade de promover uma transformação profunda na cafeicultura do Espírito Santo”, destaca Fabrício Tristão, presidente do CCCV.

Entre as etapas críticas para o resultado do café, a secagem tradicionalmente utiliza lenha e outras biomassas. O gás natural será avaliado como uma alternativa que permite maior controle térmico, ganho de uniformidade e redução de emissões.

“A ES Gás já desempenha um papel relevante na cadeia do café capixaba, atendendo processos da indústria cafeeira, como torrefação e descafeinação. Agora o gás natural passa a ter também um papel estratégico como viabilizador de inovação no processo de secagem do café. Esse projeto mostra como a energia pode impulsionar ganhos de qualidade e eficiência na produção de café, ao mesmo tempo em que abre caminho para atrair novos investimentos e ampliar o acesso de produtos capixabas a mercados ainda mais exigentes”, afirma Raphael Pereira, diretor-presidente da ES Gás.

Os testes ocorrerão durante a safra de conilon, com monitoramento técnico e coleta de dados em campo. O objetivo é avaliar a viabilidade da solução sob os aspectos técnico-operacional, econômico-financeiro, socioambiental e regulatório, além da qualidade do café de maneira a gerar subsídios para eventual expansão do modelo nos próximos ciclos produtivos.

Além do CCCV, a iniciativa reúne parceiros institucionais como a Jacobs Douwe Egberts (JDE). A execução técnica conta com o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), a Base 27 e empresas responsáveis pelo fornecimento e adaptação de equipamentos.

"Os resultados contribuirão para elevar o leque de sustentabilidade da cafeicultura e para a melhoria da produtividade científica, culminando com a ampliação da disponibilidade de cafés de qualidade superior, pois nos últimos anos, a busca por Conilons especiais vem impulsionando avanços importantes nas técnicas de secagem do conilon", afirma o professor do IFES e coordenador do Coffee Design, Aldemar Polonini Moreli.

Por seu caráter inovador e aplicação em um novo segmento, com o uso de gás canalizado no meio rural, o projeto será desenvolvido em ambiente de sandbox regulatório, sob acompanhamento da ARSP.

“Esse projeto representa um avanço importante para o setor de gás canalizado no Espírito Santo e demonstra como a regulação pode contribuir para o desenvolvimento econômico e tecnológico do Estado. A iniciativa busca avaliar o uso do gás natural na secagem de café, unindo eficiência energética, inovação e apoio ao agronegócio capixaba, um dos setores mais relevantes da nossa economia, além de oportunizar a ampliação do uso do energético e favorecer sua interiorização. Para a ARSP, trata-se de uma convergência entre inovação, desenvolvimento regional e evolução regulatória, em sintonia com os objetivos do Plano de Descarbonização do Estado", destaca Débora Niero, diretora de Gás Canalizado da ARSP.

Com cerca de R$ 1,1 milhão em recursos de P&D, a iniciativa busca não apenas testar uma nova fonte energética, mas abrir caminho para um modelo mais eficiente e sustentável na cafeicultura capixaba. A expectativa é que os resultados contribuam para elevar o padrão de qualidade do café e reforçar o protagonismo do Espírito Santo no mercado nacional e internacional.

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Por:
Centro do Comércio de Café de Vitória
Fonte:
Notícias Agrícolas

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