Em dia de valorização do Real frente ao Dólar, café vira o jogo e encerra dia operando no positivo em NY
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O café iniciou o dia em baixa nas cotações em Nova York, mas encerrou a sexta-feira no terreno positivo, impulsionado tanto pelas perspectivas para a safra brasileira quanto pela variação cambial. Com o real em valorização, o dólar passou a ser comercializado a R$ 4,95, o que tende a desestimular a atuação dos setores do agronegócio nas bolsas internacionais e, consequentemente, elevar as cotações. Ao fechamento desta sexta-feira, o contrato para maio foi negociado a 302 cents de dólar por libra-peso, com alta de 0,37%. O vencimento para julho foi cotado a 286,40 cents (+0,30%) e o de setembro a 275,90 cents (+0,20%). Em Londres, o café Robusta operou no maio a US$ 3.568 por tonelada (+0,08%), no julho a US$ 3.364 (+0,09%), enquanto o setembro registrou leve recuo, cotado a US$ 3.275 (-0,06%).
Segundo análise da Hedgepoint, potenciais impactos sobre as commodities agrícolas entraram no radar com o aumento das chances de formação de um El Niño nos próximos meses. De acordo com a NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), há cerca de 60% de probabilidade de ocorrência do fenômeno entre maio e julho. Modelos do IRI (International Research Institute for Climate and Society) indicam probabilidade semelhante no curto prazo e apontam para a continuidade do evento até o final de 2026 e início de 2027. Embora os modelos não indiquem necessariamente um aumento da temperatura global, eles apontam para temperaturas mais elevadas no Oceano Pacífico, sugerindo um evento de maior intensidade que pode ampliar os riscos para a agricultura em diversas regiões.
Para a cafeicultura, o cenário apresenta desafios potenciais para o desenvolvimento da safra 2026/2027 na América Central, América do Sul, Sudeste Asiático e África Oriental. No Brasil, embora a tendência seja de menor risco de geadas durante o inverno, as preocupações recaem sobre a safra 2027/2028, devido à possibilidade de temperaturas mais altas durante as fases de floração e enchimento dos grãos, além de alterações no regime de chuvas. Caso o fenômeno se estenda até meados de 2027, os impactos produtivos poderão alcançar também outras origens globais, mantendo o mercado em estado de alerta.
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