Café despenca na bolsa e acende alerta máximo no campo: safra brasileira e saída de fundos viram o jogo do mercado
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O mercado internacional de café encerrou esta segunda-feira( 27), em forte baixa nas bolsas, refletindo uma mudança clara de percepção dos investidores diante do avanço da safra brasileira e das projeções de ampla oferta global. O movimento pesa diretamente sobre a formação de preços e exige atenção redobrada do produtor rural brasileiro.
Na ICE Futures US, o café arábica registrou perdas expressivas. O contrato maio/2026 fechou cotado a 304.10 cents/lb, com baixa de 570 pontos. O julho/2026 encerrou a 288.50 cents/lb, com queda de 640 pontos. Já o setembro/2026 caiu para 278.80 cents/lb, com perda de 630 pontos. O dezembro/2026 também recuou, cotado a 271.15 cents/lb, com baixa de 585 pontos.
Em Londres, o robusta acompanhou o movimento negativo. O contrato maio/2026 terminou o dia a 3.629 dólares por tonelada, com queda de 54 pontos. O julho/2026 fechou a 3.428 dólares por tonelada, com baixa de 55 pontos. O setembro/2026 caiu para 3.344 dólares por tonelada, com perda de 59 pontos. O novembro/2026 recuou para 3.279 dólares por tonelada, com queda de 56 pontos.
A principal pressão veio do avanço das estimativas de produção para o ciclo 2026/27, que reforçam a expectativa de um mercado global mais folgado. No Brasil, números do IBGE apontam produção em torno de 65,1 milhões de sacas, enquanto projeções de instituições financeiras e consultorias elevam esse potencial para patamares ainda maiores. O Itaú BBA trabalha com 72,5 milhões de sacas, e estimativas mais otimistas indicam volumes próximos de 75 milhões de sacas, o que reposiciona o Brasil como principal vetor de oferta no mundo.
Esse cenário se soma à perspectiva de superávit global. Consultorias internacionais indicam que o excedente pode alcançar cerca de 10 milhões de sacas em 2026, ampliando a disponibilidade no mercado e reduzindo a sustentação dos preços observada nos últimos meses.
Outro fator determinante foi o comportamento dos fundos. Dados mais recentes da CFTC mostram que investidores não comerciais reduziram significativamente suas posições compradas em café, em um movimento de realização de lucros e redução de exposição. A diminuição desse suporte especulativo tirou força das cotações, especialmente após o mercado ter testado níveis próximos de 300 cents/lb.
Do lado da oferta internacional, o Vietnã também contribui para a pressão. As exportações do país asiático avançaram no primeiro trimestre, aumentando a disponibilidade de robusta no mercado global e reforçando o viés baixista, especialmente em Londres.
Apesar da queda acentuada, alguns fatores ainda limitam movimentos mais agressivos de baixa. No campo climático, há preocupação com o desenvolvimento da safra brasileira. A analista de inteligência de mercado Laleska Moda, da Hedgepoint Global Markets, destaca a probabilidade de 61% de ocorrência de um El Niño forte entre maio e julho, o que pode trazer chuvas excessivas durante a colheita e impactar a qualidade dos grãos.
Além disso, questões logísticas e geopolíticas seguem no radar, mantendo custos elevados de transporte e seguros, o que adiciona volatilidade ao mercado.
Para o produtor brasileiro, o momento marca uma virada importante de cenário. Se por um lado os preços ainda permanecem em patamares historicamente elevados, por outro o avanço da colheita e a expectativa de maior oferta global começam a pressionar as cotações. O ritmo de comercialização tende a ganhar relevância nas próximas semanas, especialmente diante de um mercado mais sensível ao aumento da disponibilidade.
O fechamento desta sessão reforça que o mercado começa a olhar menos para fatores externos e mais para a realidade da safra brasileira, que passa a ditar o rumo dos preços no curto prazo.
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