Café abre sem direção única: arábica recua e robusta sobe com mercado atento à oferta curta no Brasil
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O mercado do café iniciou o pregão desta quarta-feira (15) com comportamento misto nas bolsas internacionais, refletindo ajustes técnicos e fundamentos diretamente ligados ao Brasil. Enquanto o arábica opera em leve queda em Nova York, o robusta avança em Londres, sustentado por preocupações com a disponibilidade de café no curto prazo.
Na Bolsa de Nova York, o arábica abriu em baixa. O contrato maio/2026 recuava 115 pontos, cotado a 301,50 cents/lb. O julho/2026 caía 135 pontos, negociado a 296,25 cents/lb. Já o setembro/2026 registrava queda de 45 pontos, para 282,80 cents/lb. O movimento reflete ajustes após as altas recentes e cautela dos operadores diante da proximidade da colheita brasileira.
Em Londres, o robusta avançava. O contrato maio/2026 subia 44 pontos, para US$ 3.502 por tonelada. O julho/2026 registrava alta de 28 pontos, cotado a US$ 3.379. O setembro/2026 ganhava 24 pontos, negociado a US$ 3.303 por tonelada. O suporte vem da percepção de oferta ainda restrita, especialmente no Brasil.
Os fundamentos continuam centrados no mercado brasileiro. Dados Cecafé mostram que as exportações acumuladas na safra 2025/26 somaram 29,09 milhões de sacas entre julho e março, queda de 21,2% em relação ao mesmo período da temporada anterior, quando foram embarcadas 36,91 milhões de sacas. Trata-se do menor volume para o intervalo desde 2022/23.
Ainda segundo o Cecafé, em março de 2026 o Brasil exportou 3,04 milhões de sacas, alta de 15,4% frente a fevereiro, quando os embarques totalizaram 2,63 milhões. Apesar da recuperação mensal, o ambiente permanece restritivo, com produção menor na safra 2025/26 e estoques nacionais historicamente curtos limitando o ritmo das vendas externas.
O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada ( Cepea) destaca que muitos produtores já têm pouco café disponível da safra atual e, capitalizados pelos preços elevados obtidos ao longo da temporada, não demonstram pressa em negociar. Esse comportamento reduz a oferta imediata e ajuda a sustentar o robusta, mesmo com o arábica apresentando correção técnica.
Ainda de acordo com o Cepea, esse quadro de exportação contida deve persistir até que a colheita da safra 2026/27 ganhe volume, o que é esperado de forma mais consistente a partir de meados de maio. Até lá, o mercado tende a seguir sensível ao fluxo de vendas e às condições da nova safra.
Para o produtor brasileiro, a abertura reforça um cenário de preços ainda sustentados pela oferta curta, mas com oscilações pontuais. O arábica corrige parte dos ganhos recentes, enquanto o robusta continua encontrando suporte na disponibilidade limitada e na postura cautelosa de comercialização no Brasil.
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