Café dispara no fechamento e acende alerta no Brasil: oferta menor e clima seco entram no radar
![]()
O mercado futuro do café encerrou esta terça-feira (14), com forte valorização nas bolsas internacionais, impulsionado por preocupações com a oferta brasileira e suporte climático. O movimento foi liderado pelo robusta, mas também encontrou sustentação no arábica, reforçando um cenário de maior atenção para o produtor.
Na ICE Europa, o café robusta fechou em alta expressiva. O contrato maio/26 encerrou cotado a US$ 3.458 por tonelada, com alta de 107 pontos. O julho/26, referência de mercado, fechou em US$ 3.351 por tonelada, com ganho de 97 pontos. Já o setembro/26 terminou o dia em US$ 3.279 por tonelada, com valorização de 86 pontos.
Na Bolsa de Nova York, o arábica também avançou. O contrato maio/26 fechou em 302,65 cents/lb, com alta de 180 pontos. O julho/26 encerrou em 297,60 cents/lb, com ganho de 135 pontos. Já o setembro/26 terminou cotado a 283,25 cents/lb, com alta de 145 pontos.
O avanço das cotações está diretamente ligado às preocupações com a oferta no Brasil, principal produtor global. Relatórios recentes do mercado internacional apontam redução na disponibilidade, o que dá suporte aos preços, especialmente em um momento de transição de safra.
Além disso, o clima passa a ter papel central nas decisões dos agentes. Segundo a Ampere Consultoria, a segunda quinzena de abril deve ser marcada pela redução das chuvas no Brasil Central e maior irregularidade hídrica no Centro-Sul. Esse padrão reforça períodos mais secos e estáveis, o que favorece o avanço das operações de campo, mas também levanta atenção para possíveis restrições hídricas.
Nas regiões produtoras de café, especialmente no Sudeste, o predomínio de tempo seco e temperaturas mais elevadas mantém o mercado atento ao desenvolvimento das lavouras, em um momento sensível de entrada de safra.
Apesar da alta nas bolsas, o comportamento no Brasil segue mais contido. O mercado físico de arábica continua com baixo volume de negócios, refletindo a cautela dos produtores diante das oscilações recentes. Já no conilon, o ritmo segue mais ativo, com presença de compradores e maior fluidez nas negociações.
Outro fator importante é o câmbio. Mesmo com a valorização recente do real em alguns momentos, a volatilidade segue presente e influencia diretamente a competitividade das exportações e a formação dos preços no mercado interno.
O fechamento desta terça-feira reforça um cenário de volatilidade e sensibilidade a fatores externos e climáticos. O momento é de atenção estratégica: a alta nas bolsas pode abrir oportunidades, mas o ritmo de comercialização segue dependente do câmbio, do clima e da própria dinâmica de oferta no país.
0 comentário
Café derrete em Nova York com pressão da safra brasileira e julho perde mais de 1.000 pontos
Café em jogo
Cooperativa brasileira inova com inédita exportação de café especial naturalmente descafeinado ao Japão
Café cai forte nas bolsas com pressão da safra brasileira e movimento técnico
Café abre 5ª feira com Londres em alta e Nova Iorque pressionada pela chegada da safra brasileira
Exportações e produção de café da Colômbia caem em abril; chuvas atrapalham colheita