Café tenta reação após tombo histórico e abre em alta com mercado ainda sensível à safra brasileira
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O mercado do café iniciou a sessão desta quarta-feira (08), com recuperação técnica nas bolsas internacionais após as fortes perdas do dia anterior. A abertura mostra tentativa de ajuste por parte dos operadores, mas o ambiente ainda é de cautela diante das projeções de aumento da oferta global e avanço da safra brasileira.
Na Bolsa de Nova York, o café arábica abriu em alta. O contrato maio/2026 iniciou em 289,30 cents por libra-peso com ganho de 320 pontos, julho/2026 abriu em 284,40 cents com valorização de 310 pontos e setembro/2026 iniciou em 272,45 cents com avanço de 325 pontos. O movimento reflete recompras técnicas após a liquidação intensa da véspera.
Em Londres, o robusta também abriu positivo. O contrato maio/2026 iniciou cotado a 3.329 dólares por tonelada com alta de 14 pontos, julho/2026 abriu em 3.249 dólares com avanço de 18 pontos e setembro/2026 iniciou em 3.182 dólares por tonelada com valorização de 21 pontos, acompanhando a reação do arábica.
Esse aumento da oferta tem como principal motor o Brasil. A expectativa é de uma safra próxima de 75 milhões de sacas no ciclo 2026/27, avanço superior a 20% em relação ao ano anterior, impulsionado pela recuperação climática e ganhos de produtividade, especialmente no robusta.
A leitura também é reforçada por análises da HedgePoint Global Markets. Segundo a analista Laleska Moda, a produção brasileira de arábica pode ficar entre 46,5 e 49 milhões de sacas, volume capaz de contribuir para um superávit global e pressionar preços, mesmo com estoques ainda relativamente baixos.
Além da oferta, o ritmo da colheita também entra no radar. A entrada dos primeiros volumes entre abril e maio tende a manter o mercado mais ofertado no curto prazo e limitar reações mais consistentes nas cotações, especialmente para o robusta, que já enfrenta maior disponibilidade.
No Brasil, o mercado físico também influencia o comportamento das bolsas. De acordo com análise da Safras & Mercado, é que, mesmo com o cenário de maior oferta, a recomposição dos estoques globais ocorre a partir de níveis historicamente baixos, o que mantém a volatilidade elevada e favorece movimentos bruscos tanto de queda quanto de recuperação.
A abertura desta quarta-feira indica apenas um ajuste após a queda expressiva anterior. O mercado segue sensível às projeções de safra brasileira, ao ritmo da colheita e ao comportamento dos fundos financeiros. A tendência de curto prazo continua marcada por forte volatilidade, com alternância entre recompras técnicas e pressão estrutural de oferta.
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