Café despenca no fechamento desta 2ª feira com pressão de safra recorde e avanço da oferta global
![]()
O mercado do café encerrou a sessão desta segunda-feira (30), com forte desvalorização nas principais bolsas internacionais, refletindo um cenário de pressão crescente do lado da oferta.
Na bolsa de Nova York, o café arábica registrou queda acentuada. O contrato maio/26 fechou cotado a 292,55 centavos de dólar por libra-peso, com recuo de 915 pontos. O julho/26 caiu 930 pontos, a 286,60 centavos/lb, enquanto o setembro/26 recuou 900 pontos, encerrando a 275,60 centavos/lb.
Em Londres, o café robusta ampliou as perdas. O contrato maio/26 fechou cotado a US$ 3.419 por tonelada, com queda de 174 pontos. O julho/26 recuou 168 pontos, a US$ 3.348, enquanto o setembro/26 caiu 164 pontos, encerrando a US$ 3.291 por tonelada.
A pressão sobre os preços está diretamente ligada à expectativa de aumento da produção, especialmente no Brasil. Segundo análise do analista Rich Asplund, o mercado reagiu às projeções de uma safra brasileira recorde, com estimativas recentes apontando volumes próximos de 75 milhões de sacas ou mais para o ciclo 2026/27.
Ainda de acordo com o analista, a queda ganhou força ao longo da sessão, levando o arábica a mínimas de uma semana e o robusta a patamares que não eram vistos há vários meses, refletindo o ajuste dos agentes diante de uma oferta mais confortável no cenário global.
Além do Brasil, o aumento da produção em outros países também contribui para esse movimento. Dados de mercado indicam crescimento da oferta global, com destaque para o avanço da produção no Vietnã, maior produtor de robusta, o que reforça a pressão sobre os preços internacionais.
Outro fator que pesou sobre as cotações foi o fortalecimento do dólar no mercado internacional, movimento que tende a pressionar commodities precificadas na moeda norte-americana e impacta diretamente o café.
Apesar do cenário predominantemente negativo, o mercado segue atento a sinais de oferta no curto prazo. A redução recente nos estoques monitorados de robusta pode oferecer algum suporte pontual, mas ainda insuficiente para reverter a tendência de baixa neste momento.
Para o produtor brasileiro, o fechamento reforça um ponto central: o mercado já começa a precificar uma safra maior, o que limita movimentos de alta e aumenta a pressão sobre as cotações. Ao mesmo tempo, o ambiente segue volátil, com preços reagindo rapidamente a revisões de oferta e mudanças nas condições de produção, exigindo estratégia e atenção constante nas decisões de comercialização.
0 comentário
Café derrete em Nova York com pressão da safra brasileira e julho perde mais de 1.000 pontos
Café em jogo
Cooperativa brasileira inova com inédita exportação de café especial naturalmente descafeinado ao Japão
Café cai forte nas bolsas com pressão da safra brasileira e movimento técnico
Café abre 5ª feira com Londres em alta e Nova Iorque pressionada pela chegada da safra brasileira
Exportações e produção de café da Colômbia caem em abril; chuvas atrapalham colheita