Do cafezal ao prato: estudo revela como polpa de café pode transformar alimentos e gerar valor
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O que antes era tratado como resíduo no processamento do café pode se transformar em uma nova fonte de valor para o produtor. A polpa do café, descartada após a retirada do grão, começa a ganhar espaço na indústria de alimentos com potencial de aplicação até mesmo em hambúrgueres.
Um estudo publicado em outubro de 2025 na revista científica npj Science of Food, do grupo Nature, reforça esse avanço. A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade de Qassim, na Arábia Saudita, em parceria com o Centro de Pesquisa Agrícola do Egito, e avaliou o uso da polpa de café arábica como ingrediente em produtos cárneos.
No trabalho, a polpa foi utilizada em pó e hidratada como substituta parcial da gordura bovina em hambúrgueres. Os resultados indicaram redução nos teores de gordura, calorias e colesterol, ao mesmo tempo em que houve aumento de fibras, proteínas e minerais, além da presença de compostos bioativos com ação antioxidante.
Outro ponto de destaque foi a aceitação do produto final. Segundo o estudo, os hambúrgueres com adição de polpa de café tiveram boa avaliação sensorial, com notas superiores a 8 em uma escala de 9 pontos para características como sabor, textura e suculência.
O avanço reforça uma tendência importante dentro da cadeia do café: o aproveitamento de subprodutos. Hoje, a polpa representa cerca de 28% do peso seco da cereja do café e, em grande parte dos casos, ainda tem destinação limitada, como compostagem ou descarte.
Com o desenvolvimento de novas aplicações, esse material passa a ter potencial de geração de valor agregado, criando oportunidades não apenas para a indústria de alimentos, mas também para produtores e cooperativas que buscam alternativas para aumentar a rentabilidade e reduzir desperdícios.
Além dos hambúrgueres, pesquisas também indicam possibilidades de uso da polpa em bebidas, farinhas e produtos fermentados, ampliando o leque de aproveitamento dentro de uma lógica de economia circular.
Na prática, o que se desenha é uma mudança de olhar sobre o café: não apenas como grão, mas como uma cadeia com potencial de aproveitamento integral. Para o produtor, isso pode significar, no futuro, novas fontes de receita a partir de um material que hoje ainda é subutilizado.
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