Sem isenção e diálogo: Café brasileiro segue taxado em 50% pelos EUA
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Um novo decreto divulgado pelo governo americano sobre as taxações imposta pelo presidente Donald Trump e em vigor deste o mês de agosto, trouxe uma certa esperança ao Brasil para a possível isenção da taxa de 50% sobre o café brasileiro, uma vez que a nova ordem destaca que estaria fora da taxação produtos que não podem ser cultivados, minerados ou produzidos naturalmente nos EUA ou em quantidades suficientes para atender à demanda do país.
"O decreto está direcionado as nações amigas e aliadas aos ideiais dos EUA. Porém, infelizmente, hoje o relacionamento do Brasil com os EUA está pessímo, quase não temos mais diálogo com o governo americano. No momento, nosso país não é mais considerado uma nação amiga pelos EUA", informou o analista de mercado e diretor da Pharos Consultoria, Haroldo Bonfá.
O Brasil é o maior exportador de café aos EUA, fornecendo cerca de 30% dos grãos consumidos pelos americanos. Mas, segundo Haroldo, essa taxação ao nosso país é mais um conflito político e não econômico, e por conta disso, o café brasileiro deve seguir taxado em 50%.
De acordo com relatório do Cecafé, as remessas de café do Brasil para os EUA caíram em 75% em agosto deste ano, quando comparada com o que foi exportado no mesmo período do ano passado. Dados da Vizion apontam que as importações de outros grandes produtores, como Vietnã e Colômbia, não conseguiram suprir a demanda americana.
Lideranças ligadas ao setor cafeeiro alertam que neste momento, os estoques excedentes têm conseguido amenizar o impacto da escassez de oferta do produto no país, mas, em algum momento, se os americanos continuarem consumindo café no ritmo usual, será necessário uma nova e grande remessa.
E o reflexo de todo deste cenário já começou a ser sentido no bolso do consumidor americano. Os preços do café no varejo dos Estados Unidos registraram a maior alta anual do século, após as tarifas sobre as importações do Brasil. Dados do Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA (BLS), mostram que o preço médio do café moído atingiu um recorde de US$ 8,87 por libra em agosto de 2025, com um aumento de 20,9% em relação ao ano anterior.
O Cecafé segue negociando e buscando novas estratégias, para classificar o café na lista de exceção da taxação, por ser um produto de relevância na economia, agregação de valor para a indústria, geração de empregos e como recurso natural não disponível nos EUA.
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