Bancos veem queda de 3% a 6,4% na safra de café do Brasil
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SÃO PAULO (Reuters) - A safra de café do Brasil 2025/26, com colheita em fase inicial, deverá cair entre 3% e 6,4% em relação ao ciclo passado, devido ao tempo seco em 2024, de acordo com relatórios de bancos divulgados nesta terça-feira.
Após um Crop Tour realizado entre fevereiro e março, o Rabobank estimou a safra no maior produtor e exportador global em 62,8 milhões de sacas de 60 kg, uma queda de 6,4%.
Conforme o relatório, espera-se que a produção de café arábica diminua "significativamente" em 13,6%, a cerca de 38 milhões de sacas, enquanto a de canéfora (robusta/conilon) deve atingir um recorde de 24,7 milhões de sacas, crescendo 7,3%.
"O clima seco em 2024 afetou significativamente o pegamento da florada e, consequentemente, a produção de café arábica. No entanto, estimam-se excelentes produtividades para o café robusta, apesar de uma perspectiva pessimista para o Estado de Rondônia", afirmou o Rabobank.
O banco holandês afirmou ainda que as principais regiões produtoras de arábica tiveram chuvas abaixo da média em fevereiro e março (exceto no Cerrado Mineiro).
"Este período seco e quente trouxe impactos localizados em algumas regiões produtoras, especialmente no Sul de Minas Gerais e Cerrado Mineiro. No entanto, a partir da segunda metade de março, as chuvas retornaram e trouxeram alívio para a situação", afirmou.
Em relatório divulgado também nesta terça-feira, o Itaú BBA manteve sua projeção de safra de café do Brasil em 64,4 milhões de sacas, com queda de 3% na comparação com o dado do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).
"Seguimos com expectativa de redução de 10% na produção de arábica, para 40,9 MM de sacas, e 12% de aumento no robusta, num total de 23,5 MM de sacas", disse o Itaú BBA, ressaltando que o retorno das chuvas a partir da segunda quinzena de março aliviou a seca para o arábica.
A colheita de café conilon já começou na área de atuação da Cooabriel, cooperativa com sede no Espírito Santo e atuação também na Bahia.
"Já temos produtores colhendo sim, especialmente os clones de maturação precoce", afirmou a Cooabriel.
O Itaú BBA alertou ainda para o clima nos próximos meses, com o modelo norte-americano apontando chuvas.
Caso se confirme, isso pode trazer transtornos para a colheita, mas evitará a repetição da seca prolongada como a ocorrida no ano passado, criando condições melhores para as lavouras na próxima florada, ponderou o relatório.
A projeção do Itaú BBA está mais próxima de outra estimativa, divulgada no início de abril, pela consultoria StoneX, que apontou 64,5 milhões de sacas.
(Por Roberto Samora)
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