O peso na xícara do consumidor: Aumento do preço do café está gradual, mas reajustes são inevitáveis em 2025
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"Uma inflação de dois dígitos se aproxima para os bebedores de café no início de 2025", disse o colunista da Bloomberg Opinion, Javier Blas.
Se você foi ao supermercado ou em uma cafeteria nos últimos meses, com certeza já percebeu o aumento significativo do preço do café. De acordo com dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgados pelo IBGE, o preço subiu 39,60% em 2024.
O Índice de Preço dos Supermercados (IPS), calculado pela Associação Paulista de Supermercados (APAS) em parceria com a Fipe, mostra que o café em pó sofreu uma inflação de 43,41% ao longo do ano passado.
Para o economista-chefe da APAS, Felipe Queiroz, o clima é o principal motivo do produto chegar mais caro às prateleiras dos supermercados."A escassez de oferta causada, tanto no Vietnã quanto no Brasil, devido a condições climáticas desfavoráveis, é a principal razão para o aumento dos preços no mercado internacional. Além disso, a alta nos preços dos grãos arábica (variedade de café premium) também exerce influência sobre a valorização do robusta”, explicou o economista.
Segundo informações do portal internacional Bloomberg, por quatro anos consecutivos o mundo consumiu mais café do que produziu. De 2020 a 2024, o déficit entre demanda e oferta ficou entre 15 milhões e 20 milhões de sacas de 60 kg. Em um ano típico, o mundo consome cerca de 170 milhões de sacas.
Mesmo diante a expectativa de mais uma safra com a oferta limitada de café no Brasil, que vêm sustentando as fortes altas nas cotações futuras nas bolsas internacionais (principalmente do arábica), há um atraso no repasse de preço entre atacado e varejo. Mas, a diferença está crescendo tanto que os comerciantes de café já dizem que os preços elevados no varejo são inevitáveis, e o custo da xícara de café pode aumentar entre, pelo menos, 20% e 25% nos próximos meses.
O diretor executivo da ABIC - Associação Brasileira da Indústria de Café, Celírio Inácio, reforça que com a manutenção de um mercado firme e a ausência de perspectivas de redução no custo da matéria-prima é esperado que esses aumentos aconteçam ainda no primeiro trimestre de 2025. "Embora a demanda por café seja relativamente elástica, ela permanece resiliente devido ao hábito consolidado de consumo. Contudo, diante de preços mais elevados é possível que haja uma leve retração no curto prazo, especialmente, entre consumidores mais sensíveis a variações de preço. Essa possível redução no consumo tende a ser temporária, pois, com o tempo, os consumidores costumam ajustar suas prioridades, reafirmando o café como um item essencial em suas compras habituais. O café faz parte da cultura alimentar do brasileiro, do despertar, não é por acaso que dá nome à primeira refeição do dia", completou Celírio.
Já para o pesquisador cientifico do Centro de Café do Instituto Agronômico (IAC), Sérgio Parreiras Pereira, estamos vivenciando um novo momento sobre o consumo que exige compreensão e adaptação. "É fundamental a realização de pesquisas que, diante das altas de preços, investiguem as percepções, preferências e objeções dos consumidores em relação ao café. O aumento nos preços, entretanto, pode levar a adaptações no consumo, como a busca por marcas mais acessíveis, a redução na frequência de compra ou até mesmo mudanças nos hábitos relacionados ao café. Essas possibilidades precisam ser avaliadas com cuidado", reforçou o pesquisador.
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