Patinho feio? Mercado mostra que jogo virou e conilon do BR chega aos torrefadores internacionais com força e qualidade
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O Brasil voltou ao jogo internacional do mercado de café conilon, isso já é um fato consolidado e os números oficiais das exportações do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) comprovam a intensa participação no mercado.
Só em julho, os embarques dos cafés canefóras (conilon + robusta) avançaram 245,4% em comparação com o mesmo mês em 2022, com o total de 505.153 sacas. De acordo com Haroldo Bonfá, analista da Pharos Consultoria, a expectativa do mercado é o que Brasil tenha embarcado em agosto algo próximo de 700 mil sacas deste tipo de café.
Com o mercado preocupado com a oferta do Vietnã, estimada entre 29 e 31 milhões na safra que terá início entre o final de setembro e início de outubro, as cotações na Bolsa de Londres avançaram de forma significativa. A título de comparação, o contrato referência em Londres avançou mais de 10% em comparação com as cotações em 5 de setembro de 2022.
"O Vietnã ficou fora do mercado internacional, o que impulsionou os valores. O mercado aposta em uma safra com 29 milhões de sacas. Essa dinâmica de mercado foi essencial para o Brasil voltar ao jogo. Aquela história do "patinho feio", como era visto o conilon do Brasil, não existe mais. O conilon do Brasil chega para a indústria internacional com muita qualidade e muita força, ocupando espaços que antes não existiam", afirma o analista.
Com os preços elevados na Bolsa, o mercado também observou uma queda substancial dos estoques certificados de conilon na ICE. Atualmente com 583 mil sacas, no último mês os estoques recuaram 266.167 sacas e no acumulado do ano a queda chega a quase 1 milhão de sacas.
"Semelhante ao que aconteceu com o arábica, durante a crise do Brasil, é mais barato para o mercado utilizar esse café certificado e por isso não existe há meses uma recuperação significativa nos volumes", afirma.
O analista chama atenção ainda para a entrada safra brasileira, que o mercado inclusive trabalha com volumes entre 20 e 22 milhões de sacas, o que deve manter a exportação de conilon aquecida. Acrescenta ainda que com a recuperação na produção do arábica, a indústria interna poderá voltar a utilizar mais do arábica na composição do blend.
"Teremos que acompanhar como a indústria fará isso de forma sútil aqui no mercado interno. Lá fora, o torrador internacional de fato aprendeu a gostar também desse café brasileiro, sem contar os de qualidade acima da média, que também vem conquistando seu espaço", finaliza.
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