Café tem dia de altas no físico e no exterior, de olho nas chuvas no Brasil e Vietnã

O mercado futuro do café arábica encerrou o pregão desta quarta-feira (11) com altas para os principais contratos na Bolsa de Nova York (ICE Future US).
Dezembro/20 teve alta de 180 pontos, valendo 109,10 cents/lbp, março/21 subiu 195 pontos, valendo 111,95 cents/lbp, maio/21 teve alta de 195 pontos, negociado por 113,80 cents/lbp e julho/21 também teve valorização de 195 pontos, valendo 115,45 cents/lbp.
De acordo com análise do site internacional Barchart, os preços do café arábica voltaram a subir devido às preocupações com a falta de chuva no Brasil. "Dados da Somar Meteorologia na segunda-feira mostraram que as chuvas em Minas Gerais, a maior região produtora de café arábica do Brasil, mediram 8,2 mm na semana passada, ou apenas 19% da média histórica. As áreas de cultivo de café de Minas Gerais enfrentaram temperaturas acima da média e uma falta de chuvas significativas nos últimos cinco meses, o que esgotou os níveis de umidade do solo e os recursos hídricos para irrigação", destacou a análise.
Em entrevista ao Notícias Agrícolas, nesta quarta-feira (11), João Marcelo Oliveira de Aguiar - Superintendente Executivo Fundação Procafé, voltou a destacar as condições dos cafezais brasileiros. Sem chuvas expressivas desde o começo do ano e com temperaturas elevadas em Minas Gerais, produtores já começam a enxergar a realidade para o ano de 2021.
João destaca que os números ainda são recentes, mas que muito provavelmente a baixa para 2021 deve ser de pelo menos 25% para o árabica. "Nós estamos falando em uma redução da oferta a nível mundial de quase 16 milhões de sacas de café", destacou. Voltou a destacar ainda que as chuvas daqui em diante não revertem as perdas, apenas paralisam o processo.
No Brasil, o mercado físico também teve um dia de alta nas principais praças produtoras do país.
O tipo 6 bebida dura bica corrida teve alta de 8,74% em Poços de Caldas/MG, valendo R$ 560,00, Guaxupé/MG teve alta de 3,59%, valendo R$ 577,00, Araguarí/MG registrou alta de 1,79%, negociado por R$ 570,00, Campos Gerais/MG registrou valorização de 2,72%, valendo R$ 567,00 e Franca/SP teve alta de 4,55%, valendo R$ 575,00.
O tipo cereja descascada teve alta de 8,85%, valendo R$ 615,00, Guaxupé/MG teve alta de 3,33%, valendo R$ 620,00 e Campos Gerais/MG registrou alta de 2,45%, valendo R$ 627,00.
Enquanto no Brasil a falta de chuva preocupa o setor, no Vietnã o excesso de água dá suporte para os preços do conilon.
Os principais contratos registraram ganhos de US$ 27 por tonelada. Janeiro/21 fechou valendo US$ 1393, março/21 cotado por US$ 1406, maio/21 valendo US$ 1419 e julho/21 negociado por US$ 1435.
"A Agência Nacional de Meteorologia do Vietnã disse que as Terras Altas Centrais do Vietnã, a maior região produtora de café do país, podem receber até 100-250 mm de chuva nas terças e quartas-feiras dos remanescentes da Tempestade Tropical Etau, que pode inundar as fazendas de café da região e reduzir a produtividade do café", destacou o Barchart.
Além disso, o tufão Molave no final do mês passado atingiu o Vietnã, o maior produtor mundial de café robusta, e danificou colheitas e infraestrutura nas Terras Altas Centrais do Vietnã, o que atrasará a colheita de café do Vietnã.
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