Demanda por diesel deve bater novo recorde no Brasil em 2027, estima StoneX

Consultoria estima consumo de 71,4 milhões de m³ de diesel B no próximo ano, enquanto vendas de biodiesel podem chegar a 11,23 milhões de m³ caso a mistura avance para B16 em março.
Publicado em 18/08/2026 14:54

A demanda por diesel B no Brasil deve alcançar um novo recorde em 2027, mesmo diante de um ritmo de crescimento mais moderado, segundo nova estimativa da StoneX. A consultoria projeta vendas de 71,4 milhões de m³, alta de 1,2% em relação a 2026 e o 11º ano consecutivo de recorde do indicador.

Para 2026, a StoneX manteve a projeção de 70,6 milhões de m³ de diesel B, avanço de 1,6% ao ano. No primeiro semestre, as vendas totalizaram 33,9 milhões de m³, alta de 1,8% frente ao mesmo período de 2025. Para a segunda metade do ano, a expectativa é de crescimento de 1,5%, para 36,6 milhões de m³.

Segundo a consultoria, o consumo do combustível permanece resiliente, com atividades aquecidas nos setores agropecuário e industrial influenciando o aumento da demanda por fretes em todo o país, principalmente no Centro-Oeste. Para o segundo semestre, os preparativos para a safra 2026/27 de soja devem favorecer uma alta sazonal no transporte de insumos agrícolas para as regiões produtoras.

Centro-Oeste tem revisão positiva

Entre as regiões consumidoras, a StoneX realizou ajustes importantes nas estimativas para 2026. O Centro-Oeste teve as projeções revisadas para cima, influenciado pelos bons resultados das vendas em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

De acordo com a consultoria, o movimento reflete o aumento da produção e do escoamento de etanol de milho nesses estados. Em contrapartida, houve revisões para baixo nas estimativas de vendas do Sudeste e Nordeste, após resultados abaixo das expectativas no primeiro semestre, principalmente em São Paulo e na Bahia.

Para 2027, a expectativa é de um crescimento menor das vendas de diesel B. A StoneX considera que uma produção de grãos estável ou abaixo da observada neste ano, diante dos eventos climáticos esperados, pode resultar em um setor agrícola menos aquecido. Além disso, a indústria poderá ficar mais exposta às tarifas norte-americanas e ao cenário inflacionário global.

Ainda assim, diante da resiliência econômica observada ao longo deste ano, a consultoria considera que a economia brasileira deve continuar crescendo em 2027, ainda que em ritmo menor. Nesse cenário, as vendas de diesel B permanecerão elevadas e deverão registrar um novo recorde.

Regionalmente, o Sul deve apresentar o maior crescimento em 2027, com a recuperação esperada da produção de soja influenciando o aumento dos transportes no Rio Grande do Sul e no Paraná.

Biodiesel: 2026 termina com alta de 5,7%

No mercado de biodiesel, a StoneX estima vendas de 10,31 milhões de m³ em 2026, alta de 5,7% em relação ao ano anterior. A projeção foi levemente reduzida em relação ao relatório anterior, que apontava crescimento de 6,2%.

No primeiro semestre, as vendas de biodiesel somaram 4,9 milhões de m³, volume 8,4% superior ao registrado no mesmo período de 2025. O ritmo de alta, acima do observado para o diesel B, está relacionado ao maior nível de mistura entre janeiro e junho, quando vigorava o B15, contra o B14 no mesmo período do ano passado.

Apesar disso, as vendas seguem um pouco abaixo do patamar correspondente ao mandato de 15%. Em junho, por exemplo, a mistura implícita foi calculada em 13,6%, equivalente a 778 mil m³. Segundo a StoneX, essas oscilações são comuns entre os meses e deve haver uma compensação nos números oficiais posteriormente.

Para o restante de 2026, as vendas de biodiesel devem crescer em relação ao primeiro semestre, acompanhando a sazonalidade do consumo de diesel B, especialmente entre julho e outubro. Entretanto, o ritmo de crescimento em relação a 2025 deve desacelerar com a normalização do nível de mistura para B15 a partir de agosto.

Na frente das matérias-primas, a dinâmica do mercado de sebo bovino tem favorecido uma maior absorção do insumo pelo setor de biodiesel, ampliando sua participação em relação ao óleo de soja. Com a perspectiva de manutenção das exportações de sebo em níveis deprimidos devido ao aumento das tarifas norte-americanas, a StoneX espera que a participação do insumo alcance 7,1%.

Com isso, a participação do óleo de soja deve apresentar aumento tímido, de 0,1 ponto percentual, para 84,3%. Ainda assim, o uso do óleo de soja deve crescer em quase 400 mil toneladas em 2026.

B16 pode elevar demanda por biodiesel em 2027

Para 2027, a StoneX trabalha com dois cenários para o biodiesel, diante das incertezas relacionadas ao aumento da mistura. Os testes de viabilidade para ampliação até o B20 devem ser concluídos até fevereiro, segundo as expectativas do governo. O setor, por sua vez, defende que, após a conclusão do estudo, a mistura avance para B17 no próximo ano, conforme o cronograma aprovado pelo Combustível do Futuro.

A consultoria ressalta, entretanto, que a constatação da viabilidade não é suficiente, por si só, para determinar a ampliação da mistura. Ainda assim, diante do atraso ocorrido em 2026, considera-se bastante provável que o B16 entre em vigor em algum momento de 2027.

O cronograma de aumento da mistura permanece incerto. A mudança pode ocorrer ainda no primeiro semestre, por exemplo em março, ou apenas na segunda metade do ano, caso os receios relacionados aos impactos inflacionários levem à postergação.

No primeiro cenário da StoneX, a mistura permanece em 15%, com as vendas de biodiesel acompanhando o desempenho do diesel B e crescendo 1,2% ao ano, para 10,44 milhões de m³.

No segundo cenário, considerado mais otimista para o setor produtivo, o B16 entra em vigor em março, após a conclusão dos testes de viabilidade. Nesse caso, as vendas de biodiesel aumentariam 9% em relação a 2026, chegando a 11,23 milhões de m³.

Independentemente do cenário, a consultoria destaca a ampliação do volume de óleo de soja empregado em relação a 2026, tanto pelo crescimento do volume total quanto por uma leve recuperação de sua participação frente às demais matérias-primas.

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Óleo de soja pode ganhar espaço

No cenário de B16, o volume de óleo de soja destinado à produção de biodiesel deve passar de 8,2 milhões para 8,7 milhões de toneladas, alta de 6,1% ao ano.

Segundo a StoneX, o setor de biodiesel deve continuar crescendo à medida que a própria demanda por diesel B encontra suporte no país. O bom desempenho das safras agrícolas e a expansão da atividade econômica devem continuar influenciando essa tendência.

Entretanto, para que o biodiesel se desprenda da dinâmica do diesel B, será necessário que os mandatos de mistura continuem sendo revisados e avancem de acordo com o cronograma previsto pelo Combustível do Futuro.

Para 2027, portanto, o comportamento das vendas dependerá das determinações do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) sobre os mandatos de mistura. A manutenção do B15 implica crescimento limitado, de 1,2%, enquanto a implementação do B16 pode dar novo impulso à produção e resultar em alta próxima de 9% caso a mudança ocorra já em março.

Outro ponto de atenção será o mercado de sebo bovino. Com as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, o mercado norte-americano fica fora do alcance dos produtores domésticos, favorecendo uma maior participação do insumo na cadeia de biodiesel. Em 2026, esse movimento levou a uma revisão da participação estimada do sebo, que deve alcançar média de 6,9%, podendo manter esse patamar no próximo ano.

Caso o mandato seja ampliado em 2027, o cenário tende a ser favorável ao óleo de soja. O maior volume de biodiesel implicaria aumento da aplicação do insumo na cadeia produtiva, elevando o consumo de 8,2 milhões para 8,7 milhões de toneladas, mesmo diante de uma maior utilização de gordura bovina.

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Por:
StoneX
Fonte:
StoneX

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