União entre cana e milho fortalece a competitividade dos biocombustíveis
O avanço do etanol de milho, aliado à solidez da produção a partir da cana-de-açúcar, é a chave para acelerar a expansão dos biocombustíveis e fortalecer a transição energética brasileira. Para o Bioind MT (Sindicato das indústrias de Bioenergia de Mato Grosso), as duas cadeias são complementares e precisam atuar de forma coordenada para ampliar a competitividade do setor e impulsionar novas rotas de descarbonização.
A avaliação foi apresentada por Wellington Andrade, diretor executivo da entidade, durante o 19º Congresso Nacional da Bioenergia, promovido pela UDOP, um dos principais encontros do setor sucroenergético do País. Em sua palestra, o executivo defendeu que o maior desafio do segmento não é a competição entre diferentes rotas produtivas, mas a necessidade de ampliar o espaço dos combustíveis renováveis diante da predominância dos combustíveis fósseis.
"O etanol de cana e o etanol de milho não concorrem entre si. Se o setor atuar unido, ampliará sua capacidade de influenciar a agenda energética brasileira e aumentar a participação dos biocombustíveis no mercado", afirmou Wellington Andrade.
Para ele, o avanço da bioenergia depende de uma agenda institucional comum, capaz de beneficiar toda a cadeia produtiva. Entre as prioridades estão o fortalecimento do RenovaBio, a ampliação da mistura obrigatória de etanol na gasolina para até 35% (E35), a construção de um mercado de carbono robusto, a preservação do diferencial competitivo tributário dos biocombustíveis e investimentos em infraestrutura logística.
Outro tema destacado foi o potencial de expansão internacional. Andrade ressaltou que o etanol brasileiro avança em novos mercados, como aviação e transporte marítimo. A Lei do Combustível do Futuro impulsiona o desenvolvimento do SAF (Combustível Sustentável de Aviação), enquanto testes da Maersk e a recente definição da Organização Marítima Internacional (IMO) sobre a intensidade de carbono do etanol de milho reforçam a competitividade do produto brasileiro no cenário global.
Durante a apresentação, Andrade também destacou a evolução da produção de etanol em Mato Grosso, estado que se consolidou como principal polo nacional do etanol de milho. A projeção para a safra 2026/27 é de 8,44 bilhões de litros, resultado do crescimento consistente da produção ao longo da última década e dos investimentos realizados pelas usinas instaladas no estado.
Ao abordar as perspectivas para o setor, Andrade afirmou que o futuro da bioenergia passa pela consolidação das usinas como biorrefinarias, ampliando a produção para biometano, fertilizantes renováveis, bioquímicos, hidrogênio de baixo carbono, SAF e combustíveis sintéticos.
"O futuro da bioenergia vai muito além do etanol. O Brasil reúne condições únicas para liderar a transição energética, integrando diferentes rotas tecnológicas e convertendo as vantagens competitivas da cana e do milho em novas soluções de baixo carbono", concluiu Wellington Andrade.
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