Cadeia produtiva do algodão discute melhorias para a fitossanidade das lavouras
Começou em toda a Bahia o período do vazio sanitário do algodão, uma das principais estratégias de fitossanidade para evitar a infestação pelo bicudo-do-algodoeiro nas lavouras do estado. Nos próximos meses os técnicos da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab) irão fiscalizar a orientar a eliminação de restos culturais para que plantas espontâneas não atinjam um novo estágio reprodutivo na entresafra, minimizando a ocorrência do inseto na safra seguinte. Para analisar essas e outras questões o Comitê Técnico Regional do Algodão (CTR do Algodão) esteve com o diretor geral da Agência, Oziel Oliveira, na tarde desta segunda-feira, em Salvador.
Segundo ele “toda preocupação com a seguridade fitossanitária é válida. E para que se faça cumprir o vazio sanitário é necessária uma combinação de métodos mecânicos e químicos, considerando ainda as especificidades da região e a viabilidade de produção nas lavouras”, defendeu Oliveira. A Bahia, por meio da Portaria 201, estabelece o vazio sanitário como “período de tempo sem plantas vivas e com restrição de semeadura do algodoeiro”. São as tigueras e soqueiras, plantas de crescimento espontâneo provenientes de perdas da colheita da safra anterior ou de sementes que permaneceram no solo. “O surgimento dessas plantas não infringe a legislação estadual, mas, uma vez encontradas, elas precisam ser eliminadas já que a maioria dos cultivares utilizados é transgênico e resistente ao herbicida glifosato”, explicou o diretor de Defesa Vegetal da Adab, Celso Filho. “É um problema que ocorre nas áreas de rotação de culturas e o produtor deve estar atento ao monitoramento do estádio fenológico do algodoeiro”, completou.
Nesse sentido a reivindicação do setor produtivo, atendida pela Portaria nº 067 da Adab e publicada do Diário Oficial de 22 de setembro, foi a inserção de novos conceitos e especificação de estágios reprodutivos para viabilizar os tratos culturais, esclarecer o produtor e definir o critério de risco sanitário na legislação vigente. A proposta é que sejam consideradas Plantas com Risco Fitossanitário as tigueras acima do estádio V3 e soqueiras com mais de quatro folhas por broto ou presença de estruturas reprodutivas. “O algodão da Bahia alcançou o posto de segundo maior produtor nacional e o Brasil, segundo maior exportador mundial, não só pela tecnologia implementada, mas também pela organização da cadeia. Por isso a questão fitossanitária é muito importante e a Adab está de parabéns por ouvir o setor e trabalharmos juntos pela solução dos nossos problemas”, disse o presidente do CTR do Algodão e da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Luiz Carlos Bergamaschi. “Sabemos das dificuldades de todos, mas cada um, dentro de suas possibilidades, pode criar alternativas que funcionem no nosso dia a dia, na prática, respeitando cada entidade, em prol do crescimento e fortalecimento de um setor produtivo e fiscalizado”, afirmou Bergamaschi.
Outra sugestão discutida no CTR do Algodão foi a intensificação dos Dias de Campo e ações de educação sanitária para difundir tecnologia e aproximar o produtor do sistema de defesa disponível no estado. “O esforço da cadeia reflete os avanços na produção e produtividade. Defesa fitossanitária se faz estudando as situações da cultura, com atenção para o controle de pragas e diminuição de custos para o produtor”, enfatizou o Superintendente Federal da Agricultura na Bahia, Nilo Ferreira. “Dessa forma, o Ministério está sempre pronto a ouvir os produtores e sensível às tratativas que contribuam para o desenvolvimento deste patrimônio que é o algodão baiano”, finalizou.
Participaram do encontro virtual o Superintendente de Desenvolvimento Agropecuário da Secretaria de Agricultura, Adriano Bouzas, representando o secretário da pasta, João Carlos Oliveira, o presidente da Associação dos Agricultores Irrigantes do Oeste da Bahia (Aiba), Odacil Ranzi, da Associação de Engenheiros Agrônomos de Luís Eduardo Magalhães (Agrolem), João Kuffel, e, representando a Fundação Ba, Nilson Vicente, além de técnicos e diretores da Superintendência Federal da Agricultura e da Adab.
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