Abrapa vê área e produção de algodão menores na Bahia; cita pressão de soja e milho

A safra de algodão 2020/21 da Bahia, um dos principais Estados produtores da pluma no Brasil, deve apresentar queda de 13% em volume e de 15% em área na comparação com a temporada anterior, disse nesta quarta-feira a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), citando uma pressão da melhor rentabilidade gerada pelos cultivos de soja e milho.
Segundo a entidade, a colheita de algodão na Bahia teve início no dia 28 de maio e deverá resultar na produção de 520.363 toneladas. A área de plantio foi estimada em 266.662 hectares nesta temporada.
"Esta redução é explicada pela maior rentabilidade relativa da soja e do milho, que garantem maior liquidez, com menor custo de produção, ainda que os preços da pluma... estejam num patamar considerado muito bom", disse a associação em nota.
Os contratos do algodão negociados na ICE para dezembro, terminaram esta quarta-feira cotados a 87,34 centavos de dólar por libra-peso, maior patamar desde o final de fevereiro, diante da boa demanda e de condições climáticas favoráveis em importantes regiões produtoras.
A Abrapa lembrou, porém, que no período de semeadura a cotação estava em nível bem inferior, a cerca de 60 centavos de dólar, o que deixava a soja e o milho em vantagem ainda maior.
Em comunicado, o presidente da Abrapa, Luiz Carlos Bergamaschi, minimizou a redução de área e produção da pluma na Bahia, afirmando que o cenário reflete a sustentabilidade e a maturidade da matriz produtiva local, que ele vê como "variada e balanceada em função do mercado".
"A Bahia faz apenas uma safra, o que torna a decisão de plantio ainda mais acurada", acrescentou Bergamaschi. Para 2021/22, ele projeta um crescimento de 5% na área de plantio.
O Estado lidera a produção de algodão no Matopiba --região compreendida por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Segundo a Abrapa, a safra 2020/21 do Matopiba deve atingir 587.067 toneladas, com plantio em 305.351 hectares.
(Por Gabriel Araujo)
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