Gestão sustentável da água é chave para o sucesso da cotonicultura baiana
Em pouco mais de 20 anos, o estado da Bahia se tornou o segundo maior produtor de algodão do Brasil. Isso, depois de ver a sua cotonicultura, que já havia sido muito próspera, decrescer até quase o ponto do desaparecimento total, por volta dos anos de 1980. A guinada se deu com uma revolução no modelo de produção da fibra e com a migração da atividade para as áreas de cerrado, na região Oeste. E, mais importante: com a adoção da sustentabilidade como meta, o que, pelo conceito, requer a gestão dos recursos ambientais, sociais e econômicos de maneira que estejam sempre disponíveis e mantenham a “roda” girando, para as gerações atuais e futuras.
Na semana em que se comemora o Dia Mundial da Água (22/03), a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) lembra que, por mais que a maior parte do algodão produzido na Bahia (84%) dependa unicamente da chuva, o restante (16%) é fruto da irrigação, uma tecnologia que garante a segurança na produção, principalmente nas áreas em que o regime pluviométrico é instável, e nas quais a ocorrência de veranicos não é rara. O cerrado baiano é rico em chuvas, águas superficiais e subterrâneas, e, para os produtores, conservar este patrimônio hídrico é dever de todos.
“Enquanto a chuva precipita sem a participação da vontade humana, a irrigação garante o fornecimento controlado do insumo, mas tem um custo alto custo. Quando bem gerida, representa disponibilidade de água para sempre, além da segurança alimentar. Entretanto, mesmo o regime de chuva pode ser impactado pela ação do homem sobre a natureza. Ou seja, é preciso cuidado; não pode haver desperdícios ou danos à natureza. Por isso, água é um tema primordial para os produtores de algodão”, explica o presidente da Abapa, Luiz Carlos Bergamaschi, lembrando que todo produtor de algodão também é produtor de alimentos, como a soja e o milho, dentre outras culturas.
A Abapa implementa ou apoia programas específicos para evitar prejuízos ao meio ambiente, favorecer a recuperação dos danos já existentes, e otimizar o aproveitamento dos recursos naturais. Além disso, a associação baiana integra o programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), de certificação de fibra sustentável, e que opera, desde 2013, com a ONG suíça referência em licenciamento neste quesito, a Better Cotton Initiative (BCI).
O programa ABR é considerado um dos mais completos em certificação de boas práticas nas propriedades de algodão. “Isso porque ele se respalda nas legislações ambientais e trabalhistas do Brasil, consideradas das mais complexas e modernas do mundo. Tanto é que a BCI considera que quando um cotonicultor é certificado pelo ABR, automaticamente, se desejar, ele pode receber o licenciamento internacional”, frisa Bergamaschi.
A gestão da água não poderia faltar nos eixos fundamentais do ABR. “Isso se faz com monitoramento da qualidade do recurso hídrico para o consumo humano e para as operações, nas ações para evitar a erosão pelas águas da chuva, na análise constante e profunda sobre contaminação dos cursos d’água, e, claro, no cumprimento de todas as outorgas ambientais definidas em lei, o que prevê uma série de condicionantes, no caso dos produtores irrigantes”, pontua. Na safra 2019/2020, 78% das fazendas da região foram certificadas pelo programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR).
Programa Patrulha Mecanizada
Como uma iniciativa de produtores de algodão do Oeste da Bahia para melhorar a logística nas estradas vicinais, pode beneficiar a disponibilidade hídrica na região? Desde que foi criado, em 2013, o Patrulha Mecanizada já recuperou três mil quilômetros em vias vicinais, ajudando a escoar a safra das fazendas para a malha rodoviária Estadual e Federal.
“Mas as estradas não são a única benfeitoria promovida pelos produtores. O programa também constrói estruturas que captam a água da chuva, retendo a água para o uso da propriedade, além de recarregar o lençol freático”, afirma Bergamaschi. Da criação até hoje, o “Patrulha” já construiu 10 mil bacias de captação (ou de contenção) de água da chuva, também conhecidas como “barraginhas”, 600 terraços e 10 mil desvios laterais.
“Este trabalho, realizado em paralelo às intervenções de recuperação das estradas, vem evitando o processo de erosão e o carreamento de areia, terra e pedras para as nascentes, durante as chuvas, colaborando para a recarga dos lenções freáticos na região”, afirma. O programa Patrulha Mecanizada já investiu, até o momento, R$ 40,2 milhões, com recursos do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA).
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