Abrapa apresenta modelo de certificação do algodão brasileiro
Líder global no fornecimento de algodão sustentável, com 36% de participação no montante licenciado pela ONG suíça Better Cotton Initiative (BCI), na safra 2018/2019; detentor do título de campeão mundial em produtividade nas lavouras, dentre os países que não usam irrigação na cotonicultura, e usuário, em quase sua totalidade, apenas da água da chuva para a produção, o Brasil é um caso de sucesso que chama atenção do mercado, tanto interno, quanto externo. Para mostrar o que foi preciso fazer para alcançar este status e os novos passos do programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) participou, nesta quarta-feira (26), do lançamento do Núcleo de Sustentabilidade e Economia Circular do SENAI/CETIQT/NuSEC.
“Esta iniciativa se reveste de uma enorme importância em função da questão estratégica da economia circular para o desenvolvimento do nosso setor, não apenas no atendimento da demanda local, mas também para o cenário mundial”, destacou o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e da Confecção (Abit), Fernando Pimentel.
Na ocasião, a Abrapa apresentou, para um público formado por representantes da indústria têxtil e de confecção, da moda e empresas ligadas à inovação, o pilar da sustentabilidade, um dos quatro fundamentos da associação (junto com qualidade, rastreabilidade e promoção).E, no viés da sustentabilidade, a sua mais nova iniciativa, o programa ABR–UBA. Trata-se do braço do já consolidado programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), que passa a certificar não mais apenas as fazendas, mas também as Unidades de Beneficiamento de Algodão (UBA), também conhecidas como “algodoeiras”.
“Este era o elo que faltava para tornarmos potencialmente rastreável toda a cadeia produtiva da fibra no Brasil. Poderemos acompanhar passo a passo o tempo de vida de uma roupa feita de algodão, desde a matéria prima até a prateleira. Contudo, isso não depende apenas da vontade dos produtores. Todas as etapas produtivas devem se engajar neste propósito”, afirmou o diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, que representou a entidade na ocasião.
De acordo com Portocarrero, com o ABR-UBA, já é possível assumir, que “da lavoura ao beneficiamento, o algodão brasileiro tem um programa de certificação, reconhecido pelo rigor e idoneidade, e que se respalda nas legislações Trabalhista e Ambiental do Brasil, das mais completas, complexas e avançadas do mundo”.
O ABR-UBA é uma evolução do programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), que se restringia à certificação das propriedades rurais. As “algodoeiras” – a primeira das etapas industriais pelas quais passa a matéria-prima até chegar ao consumidor final – eram o único elo da cadeia produtiva no Brasil que ainda carecia de uma certificação. Baseado no conceito da sustentabilidade, em seus pilares ambiental, social e econômico, o ABR-UBA estabelece parâmetros a serem cumpridos, que serão auditados para a certificação.
Para criar o ABR-UBA, a Abrapa utilizou a expertise adquirida com o Programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), que, desde 2012, vem ajudando a tornar o Brasil o campeão global de fibra sustentável, licenciada pela entidade de referência internacional no assunto, a ONG suíça Better Cotton Initiative (BCI). Os dois programas unificaram seus protocolos no país em 2013.
Como funciona o ABR-UBA
A estrutura do programa para a Unidades de Beneficiamento de Algodão (UBA) segue o mesmo arcabouço do ABR para as propriedades rurais, porém, adaptado à natureza da atividade industrial. Com base nos três pilares da sustentabilidade, (ambiental, social e econômico), o ABR-UBA é sustentado por oito critérios de avaliação: contrato de trabalho; proibição do trabalho infantil; proibição de trabalho análogo a escravo ou em condições degradantes ou indignas; liberdade de associação sindical; proibição de discriminação de pessoas; segurança, saúde ocupacional, e meio ambiente do trabalho; desempenho ambiental e boas práticas, e 170 itens de verificação e certificação.
Assim como o ABR para fazendas, o ABR-UBA passará pelo crivo e acompanhamento das equipes das associações estaduais filiadas à Abrapa, responsáveis por gerir o programa regionalmente, e de auditorias de terceira parte, reconhecidas internacionalmente.
Safra piloto
Na primeira safra de implantação do ABR–UBA, a expectativa é certificar 11% das usinas de beneficiamento ativas no Brasil na safra 2019/2020, 29 ao todo, uma vez que o país conta, no ciclo em questão, com 266 UBAs em atividade.
Sustentável e competitivo
Segundo explicou Marcio Portocarrero, a sustentabilidade, uma das principais linhas-mestras de atuação da Abrapa, é um conceito que se fundamenta em três pilares: social, ambiental e econômico. “Quando escolhemos esse caminho, entendemos que a nossa produção não pode ser pensada como algo que se acaba aqui e agora, ou na próxima safra. Vemos a cotonicultura como uma atividade econômica feita para durar, porque usa racionalmente os recursos necessários à sua operação: ambientais, humanos e financeiros. Eles são gerenciados com visão de valor, visando ganhos compartilhados em longo prazo”, considera. “No fim do dia, seja o cotonicultor, a algodoeira, ou qualquer outra etapa da cadeia produtiva que escolhermos, ela será mais eficiente ao adotar as melhores práticas em suas operações. Isso se traduz em produtividade, menos desperdícios e impactos ambientais e retorno para as comunidades em que se insere o negócio”, concluiu.
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