Rússia diz que pode atacar alvos militares do Reino Unido em resposta ao uso de mísseis britânicos pela Ucrânia

Publicado em 27/08/2026 15:23
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Por Dmitry Antonov e Andrew Osborn

MOSCOU, 27 Ago (Reuters) - A Rússia advertiu nesta quinta-feira que pode atacar alvos militares britânicos dentro e fora da Ucrânia, em resposta aos ataques ucranianos contra alvos no território russo utilizando mísseis de cruzeiro britânicos de longo alcance.

A advertência, proferida pela porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, em uma coletiva de imprensa em Moscou, foi a mais contundente já feita pela Rússia ao Reino Unido, um Estado-membro da aliança militar ocidental Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e aliado ferrenho da Ucrânia.

Zakharova afirmou que Londres está “a um passo” de se tornar legalmente cúmplice do que ela chamou de “terrorismo” contra civis russos, algo que, segundo ela, teria “consequências catastróficas”, a menos que o Reino Unido mudasse de rumo.

Sua referência ao “terrorismo” estava relacionada ao uso dos mísseis franco-britânicos Storm Shadow/SCALP pela Ucrânia para atingir alvos dentro da Rússia ou alvos no território do leste da Ucrânia, que a Rússia reivindica como seu.

“Advertimos repetidamente que quaisquer instalações e equipamentos militares britânicos na Ucrânia e além de suas fronteiras podem ser alvos em resposta a ataques ucranianos em território russo realizados com o uso de armas britânicas”, disse ela.

“Propomos que a liderança britânica analise mais uma vez cuidadosamente a situação e, imediatamente, da maneira mais resoluta e inequívoca, abandone a linha hostil e agressiva, que só pode... criar o risco de o conflito escalar para um nível totalmente novo”, disse ela.

Um porta-voz do Ministério da Defesa britânico afirmou que Londres está “lado a lado” com a Ucrânia e está comprometida em fornecer o equipamento de que Kiev precisa “para se defender contra a invasão ilegal do (presidente Vladimir) Putin”.

“A Rússia não deve ter dúvidas quanto à determinação deste governo de se opor à agressão russa, tanto na Ucrânia quanto contra o Reino Unido e nossos aliados”, disse o porta-voz à Reuters.

Analistas ocidentais afirmaram que a veemência da advertência de Moscou refletia a fúria russa diante da decisão do Reino Unido — divulgada na segunda-feira — de permitir que Kiev tivesse acesso a tecnologia confidencial para iniciar sua própria produção de mísseis de cruzeiro Storm Shadow, capazes de realizar ataques em profundidade no território russo.

O Kremlin afirmou na segunda-feira que o Reino Unido estava metodicamente “jogando lenha na fogueira” após o anúncio.

"CAMINHO PERIGOSO"

A França já deu seu consentimento para licenciar a tecnologia do míssil europeu, e Zakharova, nesta quinta-feira, também pareceu ameaçar Paris.

Ela disse que tanto a França quanto o Reino Unido estavam “brincando com fogo” ao fornecer tecnologia sensível de mísseis à Ucrânia, algo que, segundo ela, poderia ter consequências imprevisíveis.

Ela também criticou o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, dizendo que ele parecia acreditar ter um mandato para a escalada e havia escolhido o caminho mais perigoso no que diz respeito à Ucrânia.

Zakharova emitiu o alerta um dia depois que a Rússia acusou a Ucrânia de disparar mísseis britânicos Storm Shadow contra um shopping center na cidade de Donetsk, controlada pela Rússia, no leste da Ucrânia, em um ataque que, segundo a Rússia, feriu civis, incluindo crianças.

Não houve comentário imediato da Ucrânia e a Reuters não conseguiu verificar de forma independente os detalhes do ataque.

Ambos os lados negam atacar civis deliberadamente. Milhares de civis foram mortos desde que a Rússia enviou suas tropas para a Ucrânia em 2022.

Muito mais civis ucranianos foram mortos do que russos — segundo dados da ONU —, mas Kiev intensificou sua campanha contra alvos dentro da Rússia este ano, e a Conflict Intelligence Team, um grupo independente que acompanha a guerra, estima que um total de 327 civis foram mortos dentro da Rússia nos primeiros sete meses do ano, a taxa mais alta registrada desde o início da guerra.

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