Custos e margens desafiam avanço da tilápia brasileira em um mercado cada vez mais competitivo

Painel do IFC Brasil 2026 reunirá especialistas do Cepea e da CNA para analisar preços, rentabilidade e condições para o crescimento sustentável da atividade
Publicado em 26/08/2026 12:20

O aumento da produção não é suficiente para garantir o futuro da tilapicultura brasileira. Em um mercado exposto à oscilação dos preços, à pressão dos custos e à concorrência internacional, a capacidade de transformar produtividade em rentabilidade tornou-se uma questão central para produtores, frigoríficos e demais empresas da cadeia. Esse cenário estará em debate no IFC Brasil 2026, realizado de 2 a 4 de setembro, em Foz do Iguaçu (PR).

No dia 3 de setembro, às 8h30, o painel “Competitividade da tilápia brasileira e suas perspectivas: preços, custos e rentabilidade” reunirá o pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) Thiago Bernardino de Carvalho, especialista em gestão, análise de projetos e pesquisas de mercado, e o mestre em Aquicultura Eduardo Ono, representante da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

A discussão deverá examinar os fatores que determinam a viabilidade econômica da atividade, como custos de produção, eficiência das propriedades, comportamento dos preços e remuneração dos diferentes elos da cadeia. O objetivo é compreender em que condições a tilápia brasileira poderá ampliar sua presença nos mercados interno e externo sem comprometer as margens de quem produz e processa o pescado.

“Temos potencial produtivo, conhecimento técnico e um mercado com espaço para crescer. O desafio agora é transformar essas vantagens em competitividade real. Isso exige conhecer melhor os custos, aumentar a eficiência, reduzir riscos e criar condições para que o produtor tenha rentabilidade e capacidade de continuar investindo”, afirma o professor da FGV e presidente do IFC Brasil 2026, Altemir Gregolin.

A análise ganha relevância em um momento em que a cadeia busca ampliar sua escala e disputar mercados mais exigentes. Além do desempenho dentro das propriedades, entram nessa equação questões como crédito, sanidade, tecnologia, processamento, logística e organização da produção. A competitividade, portanto, não depende apenas do volume criado nos viveiros, mas da eficiência alcançada ao longo de toda a cadeia.

“Trazer especialistas ligados à pesquisa econômica e à representação dos produtores permitirá confrontar dados de mercado com a realidade de quem precisa tomar decisões diariamente. Será um debate importante para compreender onde estão os principais custos, os riscos e as oportunidades da tilapicultura brasileira”, diz a CEO do IFC Brasil, Eliana Panty.

Ao colocar preços, custos e rentabilidade no centro da programação, o IFC Brasil 2026 pretende contribuir para decisões de investimento e para a construção de estratégias capazes de sustentar o crescimento da atividade. O painel integra o Congresso Internacional de Aquicultura, uma das agendas realizadas durante o encontro em Foz do Iguaçu.

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