Sindirações divulga primeira prévia do setor: Alimentação animal cresce 5,4% no 1º trimestre de 2026

Avanço das principais cadeias de proteína animal sustenta alta de 5,4% na produção de rações entre janeiro e março; Setor produziu 22,6 milhões de toneladas no trimestre e projeta superar 98 milhões de toneladas em 2026; Frangos e suínos lideram demanda por rações, enquanto exportações e ganhos de produtividade sustentam perspectivas para 2026
Publicado em 24/08/2026 15:49

A indústria brasileira de alimentação animal produziu 22,6 milhões de toneladas de rações no primeiro trimestre de 2026, alta de 5,4% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado reflete principalmente o avanço das cadeias de aves e suínos, impulsionadas pelo aumento da produção e pelo desempenho das exportações. Para o ano, o Sindirações projeta uma produção superior a 98 milhões de toneladas, crescimento estimado de 4,5% sobre o volume registrado em 2025.

“O desempenho do primeiro trimestre reforça a resiliência da cadeia brasileira de proteína animal, apoiada em ganhos de eficiência zootécnica, padronização nutricional e avanço das tecnologias de produção. Mesmo diante de desafios sanitários, medidas tarifárias e barreiras comerciais, a indústria mantém capacidade de adaptação e competitividade no mercado internacional”, avalia Ariovaldo Zani, CEO do Sindirações.

Desempenho por segmentos

A avicultura de corte foi responsável pela maior demanda entre as cadeias acompanhadas, com aproximadamente 10 milhões de toneladas de rações consumidas até março. O resultado acompanha a recuperação do setor após as turbulências sanitárias enfrentadas em 2025. No primeiro trimestre, o abate de frangos cresceu 3,6%, enquanto o peso acumulado das carcaças avançou mais de 7%, segundo dados do IBGE. Para 2026, a expectativa é de uma demanda de 39,8 milhões de toneladas de rações para frangos de corte.

Na suinocultura, foram demandadas 5,5 milhões de toneladas de rações no primeiro trimestre. O abate de suínos alcançou 15,3 milhões de cabeças entre janeiro e março, crescimento de aproximadamente 5,5% na comparação anual. O desempenho das exportações também contribuiu para absorver a maior disponibilidade de carne e dar sustentação às cotações. A projeção para o ano é de aproximadamente 23,6 milhões de toneladas de rações para o segmento.

A produção de ovos também apresentou crescimento no período. A produção brasileira chegou a 1,21 bilhão de dúzias no primeiro trimestre, alta de 0,4% sobre o mesmo intervalo de 2025. A demanda por rações para poedeiras somou 1,8 milhão de toneladas e deve alcançar aproximadamente 7,7 milhões de toneladas até dezembro.

Na pecuária leiteira, a aquisição de leite cru pelos estabelecimentos sob inspeção sanitária alcançou 6,8 bilhões de litros, crescimento de 3,3% em relação ao primeiro trimestre de 2025. O resultado foi favorecido pelo aumento da oferta de matéria seca, investimentos em produtividade e maior intensificação tecnológica. A demanda por rações para bovinos leiteiros chegou a 2 milhões de toneladas no trimestre, com previsão de atingir 7,9 milhões de toneladas no ano.

Na bovinocultura de corte, foram abatidas 10,3 milhões de cabeças no primeiro trimestre, mais de 3% acima do mesmo período do ano anterior. A produção de rações para o segmento somou aproximadamente 1,28 milhão de toneladas. Apesar da elevada oferta de animais e carne, o forte fluxo exportador contribuiu para equilibrar a disponibilidade no mercado doméstico e sustentar os preços. Para 2026, a previsão é superar 8,2 milhões de toneladas de rações para bovinos de corte.

Na aquicultura, a demanda por rações alcançou aproximadamente 500 mil toneladas entre janeiro e março. O setor iniciou 2026 em um ambiente de maior previsibilidade após as dificuldades enfrentadas no ano anterior, embora ainda enfrente desafios relacionados à concorrência dos pescados importados, custos de produção, segurança jurídica e regulamentação. Na carcinicultura, a expansão continua apoiada no estabelecimento de grandes fazendas, na automação da alimentação, na melhoria da aeração e do conforto ambiental e na adoção de densidades mais adequadas, combinação que favorece o crescimento, a sobrevivência e a produtividade por área. A expectativa é de que a demanda por rações para aquicultura chegue a 1,97 milhão de toneladas em 2026.

O mercado de alimentos industrializados para cães e gatos também manteve volume expressivo, com pouco mais de 1 milhão de toneladas consumidas no primeiro trimestre. Para o ano, a demanda deverá chegar a aproximadamente 4,15 milhões de toneladas. O segmento encerrou 2025 com faturamento de R$ 41,4 bilhões, equivalente a 53% de todo o mercado pet nacional, segundo a ABEMPET. Tributação elevada, câmbio e desaceleração do consumo, porém, continuam limitando o potencial de expansão.

O avanço da nutrição de precisão e dos sistemas intensivos de produção amplia a previsibilidade técnica e contribui para a eficiência econômica das operações. Esses fatores, segundo a entidade, fortalecem a posição estratégica do Brasil no mercado mundial de proteínas animais.

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Fonte:
Sindirações

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