Irã ameaça partir para ofensiva no Estreito de Ormuz caso diplomacia com EUA fracasse

Publicado em 17/08/2026 09:38 e atualizado em 17/08/2026 11:14

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Por Parisa Hafezi

DUBAI, 17 Ago (Reuters) - O Irã decidiu mudar sua política de defensiva para “totalmente ofensiva” devido ao impasse nos esforços para chegar a um acordo que ponha fim de forma definitiva à guerra com os Estados Unidos, afirmou uma autoridade iraniana de alto escalão à Reuters nesta segunda-feira.

As negociações de paz e para retomada do tráfego de petroleiros pelo estratégico Estreito de Ormuz estagnaram, sem sinais de que as partes estejam caminhando para o fim do conflito iniciado por EUA e Israel em 28 de fevereiro.

“As entidades iranianas precisam estar preparadas para intensificar as tensões no Estreito de Ormuz e na região como um todo, pois o Irã estará pronto para tomar decisões e agir em situações difíceis”, disse a autoridade iraniana, acrescentando que Teerã conduzirá um ataque militar “oportuno e preciso” para romper o bloqueio naval dos EUA caso a diplomacia fracasse.

A segunda-feira era a data em que se esperava que o Irã e os Estados Unidos chegassem a um acordo final no âmbito de um memorando de entendimento firmado em junho e destinado a pôr fim à guerra.

Assinado em 17 de junho, o memorando de entendimento estabeleceu um prazo de 60 dias, prorrogável por consentimento mútuo, no qual Washington e Teerã deveriam chegar a um acordo que abrangesse questões mais amplas, como o destino do programa nuclear iraniano.

O memorando de entendimento, que declarava a cessação imediata e permanente das operações militares em todas as frentes, no entanto, rapidamente se desmoronou devido a uma disputa pelo controle do Estreito de Ormuz.

IRÃ VAI ESTABELECER PRAZO

Teerã afirmou que o ponto 5 do memorando de entendimento lhe confere o direito de administrar a via navegável, enquanto Washington rejeitou essa interpretação. As hostilidades foram retomadas quando Teerã começou a disparar contra embarcações que, segundo ela, tentavam navegar pela via navegável em uma rota não aprovada.

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou em 7 de julho que o pacto estava “acabado”. Teerã acusou repetidamente Washington de violar seus compromissos.

“Dentro do curto prazo de algumas semanas estabelecido pelo Irã, todas as disposições do acordo têm de ser implementadas pelos EUA. Essa é uma precondição para novas negociações com os EUA”, disse a autoridade iraniana à Reuters, acrescentando que os mediadores comunicariam o prazo de Teerã a Washington e aos países da região.

Tanto o Irã quanto os Estados Unidos intensificaram a retórica na última semana.

Trump alertou os norte-americanos, em um discurso durante um comício na sexta-feira, para que se preparassem para a manutenção dos altos preços dos combustíveis como resultado da guerra, ao mesmo tempo em que afirmou que “depois que terminarmos de derrotar o Irã... muito em breve declararei o Estreito de Ormuz como território dos Estados Unidos”.

Na manhã desta segunda-feira, Trump postou em sua plataforma Truth Social: “O objetivo número um é, e sempre será, que o Irã não possa ter, de forma alguma, uma arma nuclear”, repetindo uma de suas justificativas declaradas para a guerra.

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Fonte:
Reuters

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