Deflação de alimentos ganha força em julho e IPCA em 12 meses volta a ficar abaixo da meta

Publicado em 11/08/2026 10:34

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Por Camila Moreira e Rodrigo Viga Gaier

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO, 11 Ago (Reuters) - Os preços de alimentos aprofundaram sua queda em julho e compensaram a alta da energia elétrica, ajudando a inflação no Brasil a registrar pouca variação no mês e a levar a taxa em 12 meses de volta para abaixo do teto da meta depois de dois meses acima da marca.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve em julho variação positiva de 0,07%, ante 0,16% no mês anterior e contra expectativa em pesquisa da Reuters de avanço de 0,03%. Esse é o resultado mais fraco para meses de julho desde 2022 (-0,68).

Os dados divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram que a taxa em 12 meses passou a uma alta de 4,44%, contra 4,64% em junho e expectativa de 4,40%.

A meta contínua para a inflação é de 3,0%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

"O balanço qualitativo pouco pior na margem não invalida a leitura de melhora da inflação no curto prazo, mas deve reduzir o ímpeto de otimismo em torno das recentes revisões baixistas para o IPCA de 2026", disse Leonardo Costa, economista do ASA, destacando uma aceleração do núcleo de serviços na comparação mensal.

Em julho, os preços de Alimentação e bebidas tiveram queda de 0,67%, acelerando o ritmo de deflação após queda de 0,24% no mês anterior.

Os custos da alimentação no domicílio recuaram 1,14%, com destaque para as quedas em tomate (-29,09%), batata-inglesa (-19,59%), cenoura (-14,41%) e café moído (-2,45%).

“O El Niño pode ser uma incerteza para os alimentos e para o consumidor final. A colheita pode ser afetada. No momento, os alimentos têm ajudado a conter a inflação, mas se o El Niño vier forte como se especula, os alimentos podem reverter esse quadro e pressionar a inflação", alertou o gerente do IPCA no IBGE, Fernando Gonçalves.

PESO DE ENERGIA ELÉTRICA

Na outra ponta, a maior variação positiva foi registrada por Habitação, que acelerou a alta a 0,99% em julho, de 0,63% no mês anterior.

Esse resultado foi puxado pela alta de 3,09% da energia elétrica residencial, após avanço de 1,53% em junho, diante de reajustes tarifários.

A bandeira tarifária da energia elétrica no Brasil permaneceu amarela em julho e será repetida em agosto, o que representa um custo adicional de R$1,885 a cada 100 kWh consumidos, e seguirá neste nível em agosto. Mas em agosto as faturas de energia elétrica deverão contar com um alívio no valor de R$767,2 milhões relacionado ao "bônus de Itaipu" --valor distribuído a milhões de consumidores residenciais e rurais todo ano após apuração do saldo registrado na conta de comercialização da energia da usina hidrelétrica binacional no ano anterior.

A inflação dos custos de Transportes perdeu força indo a 0,05% em julho, de 0,17% em junho. As passagens aéreas subiram 11,67% no mês, mas os combustíveis apresentaram recuo de 1,44%, com todos em queda: etanol (-2,26%), gasolina (-1,37%), óleo diesel (-1,22%) e gás veicular (-0,08%).

A inflação de serviços, por sua vez, acelerou a 0,54% em julho, de 0,34% no mês anterior, com a taxa em 12 meses chegando a 5,86%.

O índice de difusão, que mostra o espalhamento das variações de preços, teve em julho queda a 50%, de 54% antes.

Segundo Pablo Spyer, conselheiro da Ancord (associação de corretoras e distribuidoras de valores), a média dos núcleos -- que desconsideram preços mais voláteis -- acelerou de 0,21% para 0,26% em julho, e os serviços subjacentes passaram de 0,22% para 0,42%.

"A inflação cheia está melhorando, mas algumas pressões mais persistentes ainda exigem atenção", disse ele, sem ver, entretanto um "passe livre" para cortes acelerados na taxa de juros. "O próprio mercado já espera uma reaceleração da inflação nos próximos meses. Então, julho traz alívio, mas ainda não traz a vitória."

Na semana passada, o Banco Central cortou a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,00% ao ano, e deixou os próximos passos em aberto em meio a uma melhora no cenário corrente, argumentando que manterá “a restrição adequada” para assegurar a convergência da inflação à meta.

Na ata dessa reunião, divulgada nesta terça, o BC fez alertas sobre eventual disseminação de efeitos indiretos de choques relacionados aos preços do petróleo e a efeitos climáticos, o que demandaria "reação firme" da política monetária, demonstrando também preocupação com uma inflação pressionada pela demanda em meio a medidas de estímulo adotadas pelo governo.

"Com a atividade econômica dando sinais de moderação, esperamos que o atual processo de desinflação continue permitindo que o Copom prossiga com o atual ciclo de calibração na Selic", avaliou André Valério, economista sênior do Inter, que espera cortes de 0,25 ponto percentual em todas as reuniões restantes do ano, com a Selic encerrando 2026 em 13,25%.

A mais recente pesquisa Focus do BC mostra que a projeção para o IPCA é de alta de 5,02% em 2026, indo a 4,22% em 2027.

(Edição de Isabel Versiani)

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Fonte:
Reuters

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