Aumento dos ataques no Mar Negro agrava pressão sobre fluxos globais de commodities
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Por Jonathan Saul
LONDRES, 5 Ago (Reuters) - Um aumento repentino nos ataques a navios, portos e terminais de exportação no Mar Negro está prejudicando o abastecimento global de grãos e petróleo, transformando a região no mais recente ponto estratégico de estrangulamento comercial a ser afetado pela escalada do conflito.
O Mar Negro é uma rota vital para o transporte de grãos, petróleo e derivados. Suas águas são compartilhadas pela Rússia e pela Ucrânia, bem como pela Bulgária, Geórgia, Romênia e Turquia.
A Rússia, a maior exportadora mundial de trigo, e a Ucrânia, também importante exportadora agrícola, intensificaram nas últimas semanas os ataques às instalações de exportação agrícola e aos navios comerciais uma da outra na região do Mar Negro.
Kiev também intensificou os ataques a petroleiros envolvidos no comércio de petróleo da Rússia.
A mais recente escalada está criando mais um ponto de pressão para os mercados de commodities, que já lidam com interrupções nas principais rotas marítimas do Oriente Médio.
"As consequências... já são visíveis nos mercados agrícolas globais", afirmou a funcionária da ONU Kayoko Gotoh em uma sessão do Conselho de Segurança na semana passada. "Não devemos permitir que essa perigosa espiral de escalada continue."
O fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz foi interrompido pelo conflito entre os EUA e o Irã, enquanto um embargo marítimo declarado pelos houthis do Iêmen -- alinhados ao Irã -- contra portos e navios da Arábia Saudita aumentou os riscos para o transporte marítimo no Mar Vermelho.
EXPORTAÇÕES DE GRÃOS PREJUDICADAS
A Ucrânia registrou 35 ataques a navios em portos e 22 no mar em julho, além de 67 ataques a instalações portuárias, segundo o Ministério da Infraestrutura.
Em comparação, os navios foram atacados 14 vezes em todo o ano de 2025. A Reuters estima que a Ucrânia tenha atacado dezenas de petroleiros envolvidos no comércio de petróleo da Rússia.
A escalada já está afetando os fluxos comerciais.
O grupo de navegação russo Fesco informou nesta semana que suspendeu novos pedidos de embarque pelo Mar Negro depois que uma de suas embarcações foi atingida por um ataque com drones ucranianos.
Enquanto isso, a Rússia intensificou os ataques a navios civis e à infraestrutura portuária ao redor do centro de Odessa, no sul da Ucrânia, por onde passam mais de 90% das exportações agrícolas do país.
Tanto a Rússia quanto a Ucrânia afirmam que atacam apenas alvos de natureza militar.
Os produtos agrícolas continuam sendo a maior fonte de receita de exportação da Ucrânia, mesmo após mais de quatro anos de guerra. Kiev está buscando rotas alternativas de exportação, mas o ministro da Agricultura, Taras Vysotskyi, disse à Reuters nesta semana que elas não atingiriam a capacidade total até o final de agosto e movimentariam apenas com cerca de metade dos volumes normalmente embarcados pelos portos do Mar Negro.
A atividade de navegação no Mar de Azov, que deságua no Mar Negro, está restrita desde 10 de julho, afetando as operações no principal porto russo de grãos, Taman, segundo fontes do setor.
As exportações de grãos continuam a partir de Novorossiysk e Tuapse, mas em um ritmo mais lento do que antes.
As exportações de petróleo também estão sendo afetadas. Ataques ucranianos a petroleiros em julho danificaram várias embarcações e forçaram suspensões temporárias das operações de carregamento em Novorossiysk e no terminal do Consórcio do Oleoduto do Cáspio (CPC), principal ponto de exportação do petróleo bruto do Cazaquistão.
As embarcações que continuarem a atracar nos portos do Mar Negro devem realizar avaliações abrangentes das ameaças à viagem, e as tripulações devem permanecer em pontos de reunião seguros designados durante ataques com drones, afirmou a empresa britânica de segurança marítima Ambrey em um comunicado aos clientes.
SEGURO DE GUERRA NO MAR NEGRO DISPARA
Os crescentes riscos à segurança também estão elevando os custos de transporte marítimo. Os custos médios diários dos petroleiros no Mar Negro saltaram para mais de US$300.000 por dia, ante pouco mais de US$200.000 por dia há uma semana, de acordo com estimativas do mercado.
Os custos do seguro de guerra para escalas em terminais do Mar Negro subiram para até 2% do valor do navio, ante cerca de 1% há duas semanas, segundo fontes do setor de seguros. Mesmo pequenos aumentos se traduzem em centenas de milhares de dólares em custos adicionais por viagem.
(Por Jonathan Saul, com colaboração de George Abbott da The Insurer)
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