Brasil pode triplicar plantio de palma com foco em biocombustível em áreas desmatadas da Amazônia

Publicado em 23/07/2026 09:08 e atualizado em 23/07/2026 10:58

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Por Roberto Samora

SÃO PAULO, 23 Jul (Reuters) - O Brasil tem potencial de mais do que triplicar o plantio de palma de óleo no período de dez anos, utilizando áreas já desmatadas na Amazônia, em momento que o mundo busca matérias-primas para a produção de biocombustíveis avançados como o SAF de aviação, segundo o presidente da Associação Brasileira de Produtores de Óleo de Palma (Abrapalma), Victor Almeida.

Em entrevista à Reuters, ele disse que o modelo implantado no Brasil, com a atuação de agricultores familiares como fornecedores de parcela relevante dos frutos de palma, colaborou para um crescimento de 30% na área plantada no país nos últimos cinco anos, para cerca de 280 mil hectares.

Mas a demanda dos biocombustíveis deve dar um impulso adicional ao setor, cujos cultivos têm avançado em áreas desmatadas no passado, sem risco ambiental, garantindo oferta de óleo vegetal sustentável, disse Almeida.

"Vamos chegar em um milhão de hectares. Hoje, a gente tem 280 (mil), é triplicar o setor. Eu acho que você consegue fazer isso em 10 anos", disse Almeida, que também é presidente do conselho de administração da Belém Bioenergia Brasil (BBB), uma das maiores empresas do setor no país, controlada por um fundo gerido pelo grupo Opportunity.

Segundo ele, esse crescimento do setor, que conta também com a Agropalma -- adquirida este ano pelo grupo colombiano Daabon em parceria com investidores brasileiros --, será guiado principalmente pela demanda por biocombustíveis, enquanto a produtividade da palma para a produção de óleo vegetal torna-se um atrativo adicional para os investimentos.

"E aí, com esse crescimento, eu começo a ter óleo sobrando, então tem que dar uma vazão para esse óleo. E o Brasil tem todo o potencial de ser um grande produtor de biocombustível avançado", declarou o presidente da Abrapalma.

O país importa cerca de 30% de suas necessidades de óleo de palma, para um consumo que envolve até 1 milhão de toneladas ao ano, principalmente pela indústria alimentícia.

Apesar de ser um grande produtor agrícola, a área para a produção de palma de óleo é relativamente pequena no Brasil, com uma participação equivalente a 0,5% do total cultivado com soja.

Almeida explicou que a plantação de palma só pode ser realizada em áreas degradadas e desmatadas antes de 2008, ajudando na recuperação vegetal das terras e gerando renda para agricultores familiares da Amazônia.

Com essa regra ambiental e um mecanismo de rastreabilidade implantado pelo Estado do Pará, o presidente da Abrapalma disse que o Brasil pode oferecer garantias a compradores do óleo, para a produção de biocombustíveis na Europa, por exemplo, de que a atividade não é vetor de desflorestamento.

Ele ponderou que a "má fama" ambiental da palma veio com a expansão da cultura na Indonésia e os desmatamentos associados no país que é o maior produtor global desse óleo vegetal e principal fornecedor do produto importado pelo Brasil.

"Então, na nossa visão, o plano ideal é você produzir na Amazônia -- gerando emprego na Amazônia, reflorestando a Amazônia -- a matéria-prima para biocombustível que vai descarbonizar as outras regiões do mundo", disse Almeida.

O dirigente destacou que a palma conta ainda com uma produtividade muito maior do que a soja para a produção de óleo. "Com meio por cento de área (da soja no Brasil), a palma faz o equivalente a 5% do volume de óleo (de soja)", comentou.

A maior parte da soja produzida no Brasil, contudo, é exportada em grão.

PLANO NACIONAL?

Almeida comentou que as empresas do setor, embora tenham plantio próprio, como é o caso da BBB, também contam com os agricultores familiares para complementar a oferta da matéria-prima, já que esses dispõem de financiamentos a juros subsidiados do Pronaf, do Plano Safra.

Nessa parceria, as empresas fazem contratos de longo prazo de compra junto aos produtores, vinculados ao preço da commodity, o que dá previsibilidade para o negócio.

Ainda assim, Almeida defendeu uma política de Estado que não deixe o setor exposto ao risco de recorrentes isenções de tarifas de importação de óleo de palma, e que garanta também financiamentos de longo prazo não apenas para agricultores familiares.

(Por Roberto Samora; edição de Letícia Fucuchima)

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Fonte:
Reuters

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