Ibovespa começa julho em queda com investidor reticente sobre juros e eleição
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Por Paula Arend Laier
SÃO PAULO, 1 Jul (Reuters) - O Ibovespa fechou com uma queda discreta nesta quarta-feira, com investidores começando o segundo semestre ainda melindrados, dada a perspectiva de um ciclo de alívio monetário no país mais curto do que o esperado no começo do ano e de aumento da incerteza política.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,2%, a 171.688,61 pontos, tendo marcado 169.665,53 pontos na mínima e 172.098,36 pontos na máxima do dia.
De acordo com a estrategista-chefe de ações para as Américas do HSBC, Nicole Inui, as expectativas de juros, eleições e riscos inflacionários mudaram bastante nas últimas semanas, enquanto as empresas não mostram uma grande recuperação nos lucros.
"Mas muito disso já está precificado", apontou em entrevista à Reuters nesta quarta-feira, destacando que o mercado já não espera os cortes na Selic que estimava no começo do ano, já prevê um El Niño "horrível", com potenciais reflexos na inflação e também aguarda muita incerteza sobre as eleições.
Ela afirmou estar "cautelosamente otimista" e destacou que uma melhora na bolsa depende de um catalisador, que pode ser uma mudança na atual perspectiva de que o Banco Central não tem mais espaço para reduzir a taxa básica de juros. Esse não é atualmente o cenário do HSBC, que trabalha com uma Selic a 14,25% no final de 2026.
Mas, "se isso muda, com certeza vai ajudar o mercado de ações", acrescentou.
Ela chamou a atenção para a reversão do fluxo de estrangeiros que vinha bastante positivo no começo do ano, citando a mudança nas expectativas para a Selic, além de um movimento de rotação de volta para ações nos Estados Unidos e tecnologia.
De acordo com Inui, estrangeiros estão "overweight" em Brasil no universo de mercados emergentes, mas em um nível menor do que no passado, o que sugere espaço para aumentar a posição. E o Brasil continua muito bem posicionado nesse bloco, acrescentou.
"O Brasil é barato, entrega muitos dividendos, dá um retorno de equity muito alto...e o mercado é bem líquido... é difícil um investidor ficar fora do Brasil."
Estrategistas do Goldman Sachs reiteraram a recomendação "overweight" para o Brasil em portfólio de ações de mercados emergentes, destacando que o mercado parece barato e o potencial efeito positivo de "qualquer alívio na reprecificação mais agressiva das expectativas para os juros decorrente da redução dos preços de energia".
No exterior, o mês começou sem um viés único em Wall Street, com o S&P 500 fechando com declínio de 0,22%, e avanço nos rendimentos dos títulos de 10 anos, tendo a cena geopolítica e dados econômicos dividindo as atenções.
Investidores aguardam dados do mercado de trabalho norte-americano previstos para a quinta-feira, véspera do feriado antecipado em razão do Dia da Independência dos EUA. Na sexta-feira, as bolsas nos EUA estarão fechadas.
DESTAQUES
• ENGIE BRASIL caiu 6,14%, um dia antes de assembleia da companhia para decidir sobre a aquisição de uma participação de 40% na usina hidrelétrica de Jirau de seu acionista controlador, em operação que será financiada por uma oferta de ações. O índice de energia elétrica da B3 fechou em queda de 0,97%, com investidores na expectativa da segunda fase do primeiro leilão de transmissão de energia deste ano,, prevista para sexta-feira, que prevê 4 lotes e investimento previsto de R$1,8 bilhão.
• MINERVA ON recuou 4,58%, devolvendo boa parte da alta acumulada nos últimos três pregões (+5,4%). No setor, MBRF ON encerrou em baixa de 0,17%, sem conseguir cravar a quinta alta consecutiva.
• SUZANO ON valorizou-se 2,11%, tendo de pano de fundo a conclusão da operação para criar uma joint venture de US$3,4 bilhões com a gigante de bens de consumo Kimberly-Clark. Pelo acordo, a Suzano terá 51% da nova empresa e a Kimberly-Clark os 49% remanescentes. No setor, KLABIN UNIT subiu 1,08%.
• VALE ON avançou 0,12%, resistindo ao declínio dos futuros do minério de ferro da China.
• PETROBRAS PN terminou com variação positiva de 0,08%, em meio à queda dos preços do petróleo no exterior. A Petrobras anunciou na véspera redução de R$0,3515 do litro do diesel vendido a distribuidoras. Nesta quarta-feira, disse que vai reduzir em 14,5% o preço médio de venda do querosene de aviação (QAV) para distribuidoras a partir de julho. A CEO disse à Reuters que o preço do barril do petróleo parece ter se estabelecido em novo patamar de US$72 a US$75, embora o mercado ainda não tenha normalizado e a guerra no Oriente Médio continue impondo incertezas.
• ITAÚ UNIBANCO PN subiu 0,65%, melhor desempenho entre os bancos do Ibovespa no dia, que contou com dados de crédito no país mostrando que a inadimplência nos empréstimos com recursos livres subiu em maio para 6,2%, nível mais alto desde o início da série do Banco Central em março de 2011. BRADESCO PN terminou com acréscimo de 0,11%, BANCO DO BRASIL ON caiu 0,9% e SANTANDER BRASIL UNIT cedeu 0,52%.
(Por Paula Arend Laier;Edição de Igor Sodré)
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