Ureia cai mais de 40% e volta ao nível pré-crise com avanço de acordo entre EUA e Irã

Publicado em 16/06/2026 16:30
Expectativa de reabertura do Estreito de Ormuz pode reduzir restrições logísticas e coincide com período de aumento das importações brasileiras de nitrogenados.

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As cotações da ureia destinadas ao mercado brasileiro acumularam queda superior a 40% após oito semanas consecutivas de recuo e voltaram aos níveis observados antes do início do conflito no Oriente Médio. O movimento ocorre em meio ao acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã, que prevê a reabertura do Estreito de Ormuz e a continuidade das negociações entre os dois países.

A possível retomada da navegação na região é acompanhada pelos mercados de energia e fertilizantes. O estreito é uma das principais rotas para o transporte de petróleo, amônia, enxofre e fertilizantes, produtos que sofreram impactos logísticos desde a interrupção das operações marítimas.

Segundo Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, o entendimento entre os dois países representa um fator baixista para o mercado global de fertilizantes. “O acordo preliminar de paz entre Estados Unidos e Irã surge como um fator baixista relevante para o mercado global de fertilizantes. Do ponto de vista logístico e da oferta, trata-se de um evento importante, considerando que o estreito é uma rota estratégica para o escoamento de fertilizantes, petróleo, amônia e enxofre”, afirmou.

Queda dos preços acompanha expectativa de reabertura das rotas

De acordo com a StoneX, as restrições à navegação no Golfo impactaram o fluxo de produtos estratégicos e contribuíram para a valorização de diferentes commodities nos últimos meses. A perspectiva de retomada das operações marítimas passou a influenciar o comportamento das cotações internacionais.

“No mercado de ureia, as cotações CFR Brasil recuaram, na sexta-feira, aos níveis observados antes do início do conflito. Foram oito semanas consecutivas de queda, acumulando uma desvalorização superior a 40%, até atingirem patamares inferiores aos registrados no período pré-crise”, destacou Pernías.

O recuo ocorre após semanas de incerteza relacionadas à logística internacional e ao abastecimento de insumos. A expectativa de reabertura das rotas marítimas reduziu parte da pressão observada anteriormente sobre os preços.

Acordo ainda depende de novas negociações

Informações divulgadas pela Reuters mostram que o acordo entre Estados Unidos e Irã ainda está em fase preliminar. O entendimento prevê a prorrogação por mais 60 dias do cessar-fogo anunciado anteriormente e a reabertura do Estreito de Ormuz, mas os detalhes de um acordo definitivo ainda não foram divulgados.

Segundo a agência, temas considerados centrais para as negociações, incluindo o futuro do programa nuclear iraniano, deverão ser discutidos em uma nova etapa de conversas entre os dois países. Autoridades norte-americanas e iranianas afirmaram que uma trégua permanente ainda precisa ser negociada.

A Reuters também informou que empresas do setor marítimo avaliam que a recuperação da confiança dos operadores pode levar semanas, mesmo após a eventual reabertura da rota. Isso significa que a normalização do fluxo de mercadorias poderá ocorrer de forma gradual.

Oferta global continua condicionada ao cenário geopolítico

Na avaliação da StoneX, a retomada da oferta e da logística não deve ser imediata. O mercado ainda acompanha fatores que podem influenciar o ritmo de normalização das operações na região.

“A sinalização de reabertura tende a aliviar as restrições logísticas observadas na região do Golfo, favorecendo o fluxo marítimo. No entanto, ainda persistem incertezas: há relatos de trechos potencialmente minados, o Irã não confirmou condições claras para uma navegação sem restrições adicionais, e navios retidos na região podem enfrentar atrasos até a plena normalização das rotas”, explicou Pernías.

O especialista acrescenta que a eventual retirada de sanções ao Irã poderá ampliar a disponibilidade global de fertilizantes e matérias-primas ao longo do tempo. Ainda assim, a evolução desse cenário dependerá do avanço das negociações entre os dois países.

Movimento ocorre em período de maior demanda brasileira

A queda das cotações coincide com um período em que as importações brasileiras de nitrogenados tendem a ganhar ritmo. Segundo a StoneX, a demanda do país normalmente aumenta ao longo do segundo semestre.

“Considerando que as importações brasileiras de nitrogenados tendem a ganhar força no segundo semestre, esse movimento baixista, somado ao avanço nas negociações geopolíticas, ocorre em um momento favorável para os importadores no Brasil”, afirmou Pernías.

Além do mercado de fertilizantes, a Reuters informou que os preços do petróleo atingiram os menores níveis dos últimos três meses após o anúncio do acordo preliminar. O movimento reflete as expectativas dos agentes econômicos em relação aos possíveis efeitos da retomada das operações no Estreito de Ormuz.

Embora o acordo definitivo ainda dependa de novas etapas de negociação, os mercados de energia e fertilizantes já registram reflexos relacionados à expectativa de reabertura de uma das principais rotas marítimas do mundo. Para os importadores brasileiros de nitrogenados, o cenário é acompanhado em um momento de preparação para as compras do segundo semestre.

 

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Por:
Michelle Jardim
Fonte:
Notícias Agrícolas

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