Protesto na Argentina afeta carregamento de grãos de 18 navios em Quequén

Publicado em 23/04/2026 11:19 e atualizado em 23/04/2026 15:39

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Por Maximilian Heath

BUENOS AIRES, 23 Abr (Reuters) - Um protesto de proprietários de caminhões do lado de fora do porto argentino de Quequén, na província argentina de Buenos Aires, atrasou o carregamento de grãos em 18 navios, de acordo com o último relatório de situação do porto, causando prejuízos de milhões de dólares ao setor agroexportador.

A greve, que exigia um aumento nas taxas de frete devido aos preços mais altos dos combustíveis após a eclosão da guerra no Irã, impediu que os caminhões que transportavam mercadorias entrassem no terminal, onde não havia mais grãos para carregar nos navios.

De acordo com os dados do porto, atualizados na quarta-feira, espera-se que os navios carreguem um total de 159.000 toneladas de sementes de girassol, 109.000 toneladas de milho, 99.000 toneladas de cevada e 92.000 toneladas de trigo. A Argentina é um importante exportador mundial de alimentos.

"Essa situação em Quequén está se tornando insustentável. Estamos impedidos de operar em todos os terminais do porto", disse Gustavo Idígoras, presidente da câmara CIARA-CEC de exportadores e processadores de grãos, à Reuters.

Idígoras disse que os atrasos em Quequén, onde cerca de 20% das exportações totais de soja da Argentina são embarcadas, causaram perdas de cerca de US$300 milhões.

Entre os destinos dos navios em espera estão Vietnã, China, Brasil, Malásia e Espanha, entre outros.

"UM CAPRICHO DOS TRANSPORTADORES"

Na quarta-feira, uma autoridade da cidade de Necochea, onde está localizado o porto de Quequén, disse que o governo da província de Buenos Aires convocará nos próximos dias uma nova rodada de diálogo entre os transportadores e as associações rurais para chegar a um acordo que normalize a situação.

De acordo com o representante de Necochea, os transportadores estão esperando um aumento de 25% na tarifa, enquanto as entidades rurais estão oferecendo 14%.

O secretário da associação de produtores rurais de Buenos Aires e La Pampa, Carbap, disse na quinta-feira que, até o momento, eles não foram comunicados pelo governo de Buenos Aires.

"Não temos notícias de uma nova reunião", disse Pablo Ginestet, da Carbap, que se queixou sobre um foco de protesto semelhante na cidade portuária de Bahia Blanca, que já havia sido resolvido.

"Só resta um local de conflito, que é Necochea. Depois disso, o resto da província e o país estão funcionando normalmente. Parece ser um capricho dos transportadores de Necochea não quererem chegar a um acordo", disse Ginestet.

A Reuters tentou entrar em contato com o Ministério dos Transportes de Buenos Aires, mas ninguém estava disponível. A câmara de transportes Atcade, que está envolvida no protesto, não respondeu de imediato perguntas sobre o status das negociações.

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Fonte:
Reuters

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