Guerra no Irã eleva custo de fertilizantes e intensifica endividamento no agro brasileiro, afirma especialista

Publicado em 26/03/2026 06:42 e atualizado em 26/03/2026 09:08
Conflito pressiona rotas estratégicas de petróleo e fertilizantes; medida federal pode reduzir preço do diesel, mas produtores já enfrentam aumento de custos na colheita

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Em razão da nova crise mundial do petróleo, trazida pela guerra deflagrada por EUA e Israel contra o Irã. O governo federal reabriu a linha de crédito para exportadores. É a mesma linha usada no tarifaço de Donald Trump ano passado. Serão disponibilizados R$ 15 bilhões para empresas já afetadas pela guerra no Oriente Médio, com taxas de juros ainda a serem estabelecidas. 

O governo federal anunciou uma medida emergencial para conter a alta do diesel no Brasil após a escalada da guerra no Oriente Médio neste mês de março. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou o Decreto nº 12.875/2026, que zera a alíquota de PIS/Cofins sobre a importação e comercialização do combustível, mas a medida não consegue solucionar o problema.

A decisão aconteceu após a escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, iniciada em 28 de fevereiro de 2026. Desde então, o preço internacional do petróleo subiu cerca de 22,9%. Até 20 de março de 2026, no contexto da fiscalização intensificada devido ao conflito no Oriente Médio, o governo federal informou que mais de 50 distribuidoras foram multadas, em que o valor com casos comprovados de preços abusivos variam de R$ 50 mil a R$ 500 milhões. O caso reflete o risco de instabilidade no Estreito de Ormuz, rota por onde passa aproximadamente 20% do petróleo comercializado no mundo. 

Para o advogado do agronegócio Pedro Henrique Oliveira Santos, especialista em dívidas e crédito rural, o impacto da crise internacional já começa a gerar reflexos diretos no campo.

“O agronegócio brasileiro exporta grande parte da carne bovina, de frango e do milho para países do Oriente Médio e também depende da região para importar insumos estratégicos. O Irã é um dos maiores produtores de ureia, que é o principal componente dos fertilizantes utilizados na agricultura brasileira”, explica.

Dependência de fertilizantes expõe produção

O Brasil é altamente dependente de fertilizantes importados. Dados da Embrapa indicam que cerca de 85% dos fertilizantes utilizados no país vêm do exterior.

No caso da ureia, fertilizante nitrogenado utilizado em culturas como milho, trigo, arroz, algodão e cana-de-açúcar, a dependência chega a aproximadamente 90% do consumo nacional.

Em 2025, o Brasil importou entre 7 e 8 milhões de toneladas do insumo, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior.

Parte relevante dessas importações tem origem em países do Oriente Médio, região que também concentra importantes rotas logísticas para o transporte de fertilizantes.

Segundo Pedro Henrique, o cenário pode pressionar ainda mais os custos da produção agrícola. “O impacto esperado é também o aumento do preço dos fertilizantes, podendo gerar um aumento de 15% a 20% no valor desses insumos”, afirma.

O impacto tende a aparecer primeiro em regiões altamente dependentes do transporte rodoviário, como os polos agrícolas do Centro Oeste. Municípios com grande produção de grãos ou alto consumo de diesel, como Sorriso, Rondonópolis e Lucas do Rio Verde (MT), Cascavel, Toledo, Maringá e Londrina (PR), Dourados e Maracaju (MS), podem sentir mais rapidamente o aumento no custo de colheita e transporte da safra.

Diesel mais caro pressiona colheita e transporte

O diesel é um dos principais insumos da atividade rural, sendo utilizado no funcionamento de tratores, colheitadeiras e no transporte da produção agrícola. Levantamento da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis indica que, em março de 2026, o diesel vendido pela Petrobras estava até 47% abaixo da paridade internacional, o que indica pressão para reajustes caso o petróleo permaneça em alta.

De acordo com Pedro Henrique, produtores rurais já relatam impactos práticos do aumento do combustível nas atividades do campo.

“O impacto maior já está sendo sofrido principalmente na área do óleo diesel. Muitos produtores rurais já estão encontrando dificuldades em comprar óleo diesel, os preços já aumentaram, inclusive os preços dos fretes e aluguéis de maquinários”, relata.

Segundo ele, o aumento desses custos ocorre justamente em um momento importante para o calendário agrícola, durante a fase final de colheita em várias regiões do país.

Custos maiores ampliam risco de endividamento no campo

O aumento dos custos ocorre em um momento delicado para o setor rural. Dados do Banco Central do Brasil indicam que o crédito rural no país ultrapassou R$ 475 bilhões na safra 2024/2025, refletindo o alto nível de financiamento utilizado pelos produtores.

Para o especialista, o cenário atual tende a reduzir ainda mais a margem financeira da atividade rural. “Esse contexto representa risco de piora no endividamento do setor. Quando o custo de produção aumenta, seja por fertilizantes, diesel ou frete, a margem do produtor rural diminui e a capacidade de pagamento das dívidas fica comprometida”, explica.

Gestão eficiente se torna essencial para enfrentar o cenário

Diante desse contexto, Pedro Henrique avalia que o produtor rural precisa redobrar a atenção à gestão financeira e jurídica da atividade.

Segundo ele, momentos de instabilidade internacional exigem análise cuidadosa da estrutura de custos e das obrigações financeiras do produtor. Estratégias como reorganização de passivos, renegociação de contratos, revisão de taxas de financiamento e alongamento de dívidas podem ser alternativas importantes para preservar a sustentabilidade da atividade rural.

Na avaliação do especialista, esse tipo de planejamento permite que o produtor “reorganize o fluxo de caixa, mantenha a produção e consiga pagar suas dívidas dentro de condições sustentáveis para a atividade.”

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Por:
Pedro Henrique Oliveira Santos, advogado especialista em agronegócio
Fonte:
Notícias Agrícolas

1 comentário

  • Bruno RJ são joão - PR

    Viva ao Trump.

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    • Adilson Garcia Miranda São Paulo - SP

      UÉ, AS Refinarias que a esquerda ia inaugurar no passado, não iam tornar o Brasil autossuficiente, na fabricação de Fertilizantes.

      Para onde será que foi o dinheiro desses investimentos ? Acho que o BNDS deve saber ?

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    • Bruno RJ são joão - PR

      E onde está a refinaria que a Direita inaugurou?

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    • Adilson Garcia Miranda São Paulo - SP

      A Direita quase não esteve no poder, quando esteve, judiciário e Legislativo não a deicharam governar, pois teve que respeitar as 4 linhas.

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    • Adilson Garcia Miranda São Paulo - SP

      Porém todas essas Refinarias que aí estão, foram feitas, na época do Regime Militar., teoricamente de direita.

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    • CARLO MELONI sao paulo - SP

      BRUNO RJ---Voce deve ser um mulequinho com pouca idade e pouco estudo----Todas as refinarias existentes no Brasil foram construidas e entregues no periodo que voces ignorantes chamam de extrema direita porque os papagaios como voce chamam de fascista----Voces nao sabem que Fascismo e Comunismo nasceram na mesma escola da professora Angelica Balabanoff e que Mussolini e Lenin eram amigos pessoais----Nao precisa pesquisar a fundo vai na internet que voce encontra tudo isso

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    • Bruno RJ são joão - PR

      Carlos não vou descrever meu currículo aqui para não humilha-lo. Até porque a sua ignorância não irá permitir compreende-lo, visto que é incapaz de entender que fiz uma crítica à um presidente que não está nem aí para o resto do mundo, muito menos para nós agricultores.

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    • CARLO MELONI sao paulo - SP

      Meu nome não tem o s, me formei no éxterior fui trazido ao Brasil pela organização de Juscelino K. Trabalhei 23 anos na General Electric, alguns geradores de usinas elétricas foi eu que projetei, você é um boco' esquerdista e ignorante

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    • Bruno RJ são joão - PR

      Parabéns Sr. Carlo pela sua formação e história de vida. Só a título de informação EXTERIOR não tem acento. Mas o que a sua formação e história de vida tem haver com o meu comentário sobre as atitudes de Trump?

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    • anderson boff missal - PR

      Vou descrever o perfil desse Bruno e de muitos que vem aqui dar negativo nos comentários, defender a esquerda em qualquer absurdo. Provavelmente é um funcionário público, que acha que sua classe deve ser diferenciada, uma bolha, onde os problemas do país não pode afetar, que se for preciso sacrifique todas as classes mas não fure a bolha, fala aí acertei né? Só quero tu reflita umas coisas, primeiro, a maioria dos funcionários públicos estão acostumados a gastar tudo que faz talvez algumas aplicações, mas que se o país entrar em colapso financeiro faz o salário e o dinheiro guardado virar pó, segundo apoiar um governo comunista é o mesmo que

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    • anderson boff missal - PR

      Que não querer melhorar porque hora que o governo precisar e só vim pegar porque é tudo do governo, e não adianta hora que a economia fracassa não tem bolha que guenta

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    • CARLO MELONI sao paulo - SP

      Anderson,,, me arrependi de ter respondido,, nunca mais farei isso,,ele mencionou o curiculum dele eu respondi a isso ,ai ele fala do Trump completamente fora do assunto-----ACHO QUE PARA ENTRAR NESTE ESPAÇO O SUJEITO PRECISAVA INFORMAR O CNPJ DE PRODUTOR

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    • anderson boff missal - PR

      Sr Carlos, por um lado essas pessoas sem noção que não tem nada a ver com a agricultura que comentam aqui, por um lado temos a oportunidade de esclarecer pra elas a realidade, se conseguem abrir a mente já não sei. Mas que chega irritar esses comentários sem noção,chega

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    • Bruno RJ são joão - PR

      Perdoe te desapontar Anderson, mas sou filho e neto de agricultor, na lida nas roças de algodão desde os 10 anos com meu pai. Agricultor na prática, que põe a mão na massa, diferente de alguns agricultores de ar condicionado e de teclado. Mas diferente de você, respeito a sua opinião, se você acha que um lunático que brinca de ser presidente é uma figura bacana, o que posso fazer?

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    • anderson boff missal - PR

      Bruno nem eu nem vc sabemos quem está certo ou errado se falando em mundo, só sei que todos que o tramp é contra eu também sou e os únicos que apoiam essa corja é a esquerda imunda, aí se vc faz parte dela já não sei

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    • Adilson Garcia Miranda São Paulo - SP

      Donald Trump está fazendo um favor ao mundo, ao detonar os Xiitas terroristas amigos do Laola.

      Nestas últimas décadas, já passou muitos filmes na mídia, em que o enredo, era os árabes xiitas, fornecendo artefatos nucleares, a organizações terroristas, a fim de explodiram, dentro dos EUA.

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    • Adilson Garcia Miranda São Paulo - SP

      Por qual motivo vocês acham, que o Irã, não permite que a ONU supervisione o seu programa nuclear. Os Aiatolas, sempre chamaram os EUA de grande Satã, e Isrrael de pequeno Satã, e tudo que auferiram com a venda de petróleo, era investido em armamento, e não no social, ao contrário, lá eles matam só, porque a pessoa é ou suspeita que é homossexual. Suas liberdades e legislação, é pior que as do tempo, da idade média.

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    • Adilson Garcia Miranda São Paulo - SP

      Em janeiro, mataram mais de 30000 manifestantes, que protestaram nas ruas. Não é à toa que um dos apelidos da esquerda é XIITA.

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