Setor siderúrgico do Brasil retoma expectativa de volta de regime de cotas após decisão de Suprema Corte dos EUA
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Por Rodrigo Viga Gaier
RIO DE JANEIRO, 27 Fev (Reuters) - A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos em derrubar o tarifaço de Donald Trump renova a expectativa de condições mais favoráveis para o setor siderúrgico brasileiro exportar para o país, disse nessa sexta feira o presidente-executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes.
A medida em si não altera o regime de exportação de produtos siderúrgicos brasileiros, mas abre espaço para negociações entre Brasil e EUA sobre a retomada do regime de cotas que era adotado até 2018.
"(Com a decisão da Suprema Corte) a gente está querendo abrir um canal. Imaginamos que agora com essa retirada da questão da reciprocidade tarifária, se abre um canal também para poder discutir a questão do aço. Eu acho que sim (pode facilitar)", disse ele a jornalistas em evento da Associação Comercial do Rio de Janeiro.
Na semana passada, a Suprema Corte dos EUA considerou como ilegais as tarifas globais de importação aplicadas por Trump com base em uma lei destinada a ser usada em emergências nacionais.
Negociações entre Brasil e EUA em 2018 para revisar tarifas de importações duraram meses e criaram o sistema em que o Brasil podia enviar sem pagar sobretaxas aos EUA 3,5 milhões de toneladas de produtos semiacabados (placas) para laminação e 687 mil toneladas de laminados por ano.
Lopes destacou que a condição básica que o governo brasileiro impôs para começar a negociar com os norte americanos era a derruba do tarifaço adicional de 40% para produtos brasileiros.
"Como a corte derrubou (o tarifaço) e o Trump botou todo mundo no mesmo nível, 10% de tarifa, isso retira aquela condição, a premissa básica do governo brasileiro, e você tem um pouco mais de pragmatismo”, disse o presidente-executivo do Aço Brasil.
Porém, Lopes afirmou que por ora não há nenhuma reunião marcada para que as partes possam voltar a negociar a retomada do regime de cotas que vigorou até 2018.
Sobre a contínua preocupação do setor com a chegada de aço produzido no exterior ao Brasil, Lopes afirmou que com as últimas medidas de defesa comercial do Brasil "trazem a expectativa que venha frear as importações".
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