Um dia após vendaval, SP tem 1,3 mi sem energia e abastecimento de água afetado
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Por Leticia Fucuchima e Rodrigo Viga Gaier
SÃO PAULO, 11 Dez (Reuters) - Mais de 1,3 milhão de unidades consumidoras ainda estão sem energia elétrica na região metropolitana de São Paulo na tarde desta quinta-feira, um dia após o início da passagem de um ciclone extratropical que danificou pontos da rede elétrica local, levou ao cancelamento de voos e prejudicou o abastecimento de água.
Segundo dados disponibilizados pela distribuidora local da Enel, às 13h desta quinta-feira o fornecimento de energia estava interrompido para cerca de 1,3 milhão de clientes na região metropolitana de São Paulo, ou 15,82% da base total.
A capital paulista é a principal impactada, com cerca de 930 mil consumidores sem luz (16%). Mas outros municípios da região também seguiam bastante afetados, como Cotia, com 46 mil clientes (32,6%) e Santo André, com 48,8 mil (13,6%).
Segundo a Enel São Paulo, sua área de concessão foi atingida na véspera por um "vendaval histórico, segundo o Inmet, que perdurou por cerca de 12 horas", com rajadas de até 98km/h.
Na tarde de quarta-feira, mais de 2 milhões de consumidores chegaram a ficar sem luz devido ao vendaval, que veio após fortes chuvas no início da semana e provocou danos à rede elétrica, com queda de objetos, galhos e árvores inteiras.
A Enel afirmou em nota que mobilizou antecipadamente mais de 1.500 equipes para atuar no restabelecimento dos clientes afetados e que, até as 5h desta quinta-feira, mais de 500 mil clientes tiveram o fornecimento de energia normalizado.
Na véspera, a agência reguladora Aneel solicitou esclarecimentos da concessionária sobre a preparação da empresa para responder ao evento climático extremo, que já estava previsto para ocorrer, além de comprovação de adequação da estrutura operacional.
O órgão regulador se reuniu nesta terça-feira com representantes de distribuidoras de energia que atendem as regiões Sul e Sudeste, para avaliar a possibilidade de auxílio, com compartilhamento de equipes e materiais.
Porém as concessionárias informaram que, devido à previsão e possibilidade de piora das condições meteorológicas, ainda não seria possível prestar ajuda à Enel São Paulo, relatou a agência.
"A Aneel informa que este cenário será verificado diariamente para que empresas possam contribuir com recursos e equipes em regiões mais afetadas."
A concessionária paulista também foi notificada pelo Procon-SP, órgão de defesa do consumidor, com pedido de informações estrutura logística e plano de contingência para atender situações emergenciais, como clientes críticos que precisam de equipamentos de suporte à vida.
ÁGUA E AEROPORTOS
O problema impactou também as operações da Sabesp, que informou nesta quinta-feira que o abastecimento de água em parte da capital e em algumas cidades da região metropolitana segue "muito afetado", já que a falta de eletricidade impede o bombeamento de água para as residências.
Segundo a concessionária de água e esgoto, na cidade de São Paulo, seguem afetadas as regiões de Americanópolis, Cangaíba, Parelheiros, Parque do Carmo, Parque Savoy, Sacomã, Vila Clara, Vila Formosa e Vila Romana. Os bairros próximos a essas regiões também foram prejudicados, pois os reservatórios instalados nesses locais atendem a áreas vizinhas.
Já em outros municípios e bairros da capital paulista, embora a energia já tenha sido restabelecida, a recuperação do abastecimento de água está ocorrendo de forma gradual.
O vendaval de quarta-feira também afetou a chegada e partida de voos na região. No aeroporto de Congonhas, 31 chegadas e 15 partidas foram canceladas na manhã desta quinta-feira, enquanto na véspera foram 88 chegadas e 93 partidas canceladas, disse a concessionária Aena. Já em Guarulhos, a ventania levou ao cancelamento de 61 chegadas e 56 partidas.
Do lado do comércio, a perda de faturamento na Grande São Paulo devido à falta de energia pode chegar a R$51,7 milhões, segundo estimativa da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).
EVENTOS CLIMÁTICOS EXTREMOS
O período chuvoso, que se inicia entre outubro e novembro no Brasil, costuma trazer desafios à operação das distribuidoras de energia, sendo comum que ocorram danos à rede elétrica devido à queda de árvores e outros objetos.
Nos últimos anos, vendavais cada vez mais intensos agravaram os desafios das concessionárias e levaram a uma pressão crescente por redes mais resilientes a eventos climáticos extremos.
A Enel São Paulo tem estado sob escrutínio público desde novembro de 2023, quando um evento climático extremo, com ventos de mais de 100 km/h, atingiu sua área de concessão e deixou milhões de consumidores sem energia por vários dias.
A resposta da Enel no atendimento aos consumidores nessa e em outras ocasiões subsequentes, considerada aquém do desejado, gerou críticas de consumidores e autoridades, com ameaças do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, de que a distribuidora poderia não ter sua concessão renovada.
As críticas do governo federal, porém, foram amenizadas após a empresa se comprometer com a contratação de mais equipes e com um aumento do plano de investimentos para a região.
(Por Letícia Fucuchima e Rodrigo Viga Gaier)
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