Faesp pede manutenção da alíquota de importação da borracha natural de 10,8%
A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) submeteu à Câmara de Comércio Exterior (Camex) o pleito dos produtores paulistas de manutenção da alíquota de 10,8% sobre a importação de borracha natural. A vigência da tarifa atual termina em agosto e, caso a medida não seja renovada e a tarifa retorne ao patamar anterior, de 3,2%, pode implicar entrada massiva de borracha asiática no país, reduzindo a compra da borracha nacional e pressionando os preços pagos ao heveicultor. Dada a importância da medida, a Faesp enviou ofícios ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e ao vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin, solicitando apoio ao pedido.
A redução da alíquota de importação da borracha natural pelo Brasil representa uma ameaça significativa à competitividade da heveicultura nacional, que enfrenta um cenário de margens negativas e descapitalização desde 2022. Essa realidade provocou uma série de consequências negativas ao setor: abandono de áreas plantadas, suspensão de sangria de seringueiras, êxodo de trabalhadores especializados (sangradores) e desestímulo à manutenção e renovação dos seringais.
Embora o país não seja autossuficiente na produção de borracha natural, o reduzido custo de importação tem resultado na entrada de borracha internacional em volume que compromete a demanda pelo produto nacional, o qual, por sua vez, encontra dificuldades para escoamento no mercado externo, em função da baixa competitividade frente ao produto asiático. Nesse sentido, a adoção de medidas de defesa comercial, em especial a tarifa de importação incidente sobre a borracha natural, tem se mostrado um importante instrumento para atenuar parte das distorções enfrentadas pelos produtores nacionais nos últimos anos.
O Brasil produz um volume expressivo de 463,4 mil toneladas de borracha natural, cerca de 50% de seu consumo total, que é oriundo de 13.871 estabelecimentos agropecuários. Além desses produtores, há um elevado número de sangradores parceiros que, embora não contabilizados por estatísticas oficiais em decorrência da alta informalidade dessas relações, sabe-se ser expressivo. Portanto, a importância da heveicultura brasileira não é somente econômica, mas social, tal que ações e medidas em prol dessa atividade contribuem para preservar empregos, garantir a segurança alimentar e para o avanço da produção.
“Não há espaço para a redução das tarifas de importação da borracha natural. Há necessidade de se reavaliar toda a cadeia produtiva, com vistas a identificar os principais gargalos e entraves, sobretudo na dinâmica de transmissão de preços entre seus elos. A Faesp pleiteia a manutenção da alíquota de 10,8%, mas também destaca a importância da implementação de medidas estruturantes que possam contribuir efetivamente para o desenvolvimento da heveicultura brasileira e para o ganho de competitividade da borracha nacional ante os produtos asiáticos, assim mitigando o impacto de desequilíbrios de mercado”, concluiu o presidente da Faesp, Tirso Meirelles.
0 comentário
Split Payment: o fim do financiamento dos tributos pelas empresas
Cecafé participa do Fórum Global da OCDE) sobre Conduta Empresarial Responsável
Regulamentação federal fortalece debates sobre pagamento por serviços ambientais no Pantanal em Mato Grosso
Governos do Paraguai e do Brasil ratificam Acordo de Livre Comércio entre MERCOSUL e EFTA
Sicredi prevê R$72,1 bilhões para Plano Safra 2026/2027
Senado debate regulamentação da Lei dos Defensivos Agrícolas e cobra segurança jurídica