Presidente do Banco Mundial pede que países em desenvolvimento reduzam tarifas e foquem comércio regional
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Por Andrea Shalal
WASHINGTON (Reuters) - O presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, pediu nesta quarta-feira aos países em desenvolvimento que liberalizem o comércio, afirmando que muitos deles mantêm tarifas mais altas do que as economias avançadas e que a redução dessas tarifas poderia compensar o risco de taxas de importação recíprocos.
Banga disse a repórteres que a incerteza global - desencadeada nos últimos meses pelas tarifas dos EUA e pelas medidas retaliatórias anunciadas pela China e por outros países - está contribuindo para um ambiente econômico e de negócios mais cauteloso.
Ele disse que o impacto irá variar de país para país, mas que se espera que o crescimento global desacelere em relação ao nível previsto há vários meses. Banga não fez nenhuma previsão específica.
Em janeiro, o banco de desenvolvimento global previu um crescimento econômico global de 2,7% em 2025 e 2026, o mesmo que em 2024, e alertou que as economias em desenvolvimento agora enfrentam a perspectiva de expansão no longo prazo mais fraca em 25 anos.
Na época, o banco alertou que as tarifas generalizadas dos EUA de 10% poderiam reduzir o crescimento global em 2025 em 0,3 ponto percentual se os parceiros comerciais dos EUA retaliassem com suas próprias tarifas.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alterou o sistema de comércio global ao impor uma nova tarifa básica de 10% sobre produtos de todas as economias e taxas mais altas para alguns países, embora essas tenham sido suspensas por 90 dias para permitir negociações.
Banga disse que os países devem negociar e dialogar sobre questões comerciais, observando que também há um potencial inexplorado em uma integração regional mais profunda para os países em desenvolvimento.
"Os países precisam se preocupar com a negociação e o diálogo. Isso será muito importante nesta fase e, quanto mais rápido o fizermos, melhor será", disse ele.
Os países também devem trabalhar com parceiros dispostos a manter o fluxo do comércio regional e bilateral, acrescentou.
Banga reconheceu que as tensões comerciais estão diminuindo o apetite das empresas por investimentos, mas disse que não está claro por quanto tempo a atual paralisia perdurará.
"Não sei como prever quanto tempo levará para sair, porque a maior parte disso é causada pela atual discussão sobre comércio. Se vocês chegarem a boas resoluções por meio dessa negociação que estou incentivando... então acho que vocês poderão sair dessa relativamente rápido."
Banga também disse que o Banco Mundial há muito tempo argumenta que tarifas mais altas criam atritos que levam à redução da transparência e do crescimento. "Essa não é uma discussão nova", acrescentou.
(Reportagem de Andrea Shalal, reportagem adicional de David Lawder)
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