Agricultor brasileiro volta a fazer encomendas de fertilizantes, diz Anda
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SÃO PAULO (Reuters) - O agricultor brasileiro começou os preparativos para a safra 2024/25 com cautela, em meio a preços mais baixos de importantes produtos agrícolas como a soja e o milho, mas voltou a fazer encomendas de fertilizantes em um ritmo melhor, disse o diretor-executivo da Associação Nacional para Difusão do Adubo (Anda), Ricardo Tortorella, em entrevista à Reuters.
"Ele (agricultor) demorou para tomar a decisão sobre as encomendas, mas voltou a fazer encomendas, estamos com armazéns lotados, portos lotados", disse o diretor-executivo da Anda, sinalizando que os negócios voltaram a fluir.
As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro acumulam queda de 1,8% de janeiro a maio, para 14,2 milhões de toneladas, conforme os últimos dados divulgados pela Anda.
Mas Tortorella avalia que essa pequena queda nas entregas, frente a um ano de vendas volumosas como 2023, precisa ser relativizada.
Ele ainda vê um ano de mercado firme no Brasil, ainda que a associação não faça previsões.
"Quando olhamos dados de maio, produção e importação caíram, apesar disso, o produtor está encomendando", acrescentou.
O Brasil importa grande parte de suas necessidade de fertilizantes.
As entregas de fertilizantes ao mercado caíram 10,1% em maio, para 3,26 milhões de toneladas.
O poder de compra de fertilizantes pelos agricultores caiu em julho ao menor nível em quase dois anos, segundo índice elaborado pela Mosaic, líder de mercado no Brasil, em meio a uma queda nos preços da soja e do milho e uma alta nos custos com adubos.
Mas os negócios voltaram a fluir, notou Tortorella. Ele avalia que o mercado agora está andando no mesmo ritmo do ano passado, quando as vendas foram quase recordes, ficando muito perto dos volumes de 2021.
"Foi um semestre bastante atípico e gerou dúvida ao produtor rural, ele retardou a compra, mas temos sinais até agora que ele vai comprar dentro da normalidade", disse ele, ressaltando que a fertilizante do solo é fundamental para o aumento da produtividade.
Segundo o diretor-executivo da Anda, um primeiro semestre de vendas mais lentas expõe riscos logísticos para as entregas, mas a "indústria está fazendo tudo para superá-los".
O plantio da safra de grãos 2024/25 deve começar a partir de meados de setembro, a depender também da chegada das primeiras chuvas.
Cenários sobre o mercado de fertilizantes no Brasil e no mundo vão ser discutidos na próxima terça-feira, no congresso anual da Anda, em São Paulo.
(Por Roberto Samora)
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