Operação ‘padrão’ de fiscais atrapalha desembarque de trigo em Santos, diz Abitrigo
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SÃO PAULO (Reuters) – Uma operação “padrão” de fiscais federais agropecuários iniciada no final do ano passado está atrapalhando o fluxo de desembarque de trigo no porto de Santos, segundo a associação do setor Abitrigo, em um sinal de como o movimento por reajuste salarial pode impactar exportações e importações de produtos agrícolas do Brasil.
O problema com o cereal em Santos envolve a carga de dois navios, segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), Rubens Barbosa.
Uma das cargas desembarcou no dia 2, mas não foi liberada em função da operação dos fiscais. E o espaço ocupado com o carregamento está impedindo o descarregamento de outra embarcação, disse Barbosa, confirmando informação publicada antes pelo jornal O Estado de S.Paulo.
O Brasil é um dos maiores importadores do cereal, comprando a maior parte de suas necessidades na Argentina. O país, contudo, terminou recentemente a colheita de uma safra recorde de trigo e está exportando grandes volumes.
Não ficou imediatamente claro o impacto do problema em Santos e quais empresas estariam envolvidas.
Segundo a Abitrigo, o Ministério da Agricultura já está atuando para resolver a questão.
O ministério não se pronunciou imediatamente sobre o problema em Santos ou outros desdobramentos da operação “padrão”.
Procurada, a Santos Port Authority, uma empresa pública vinculada à Secretaria Nacional de Portos e Transportes Aquaviários, não comentou o assunto imediatamente.
Há ainda preocupações no setor de carnes com o desembaraço das mercadorias para exportações devido ao movimento dos fiscais.
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) não reportou um problema específico, após ser procurada pela Reuters, mas divulgou nota dizendo que “está certa da compreensão dos auditores fiscais quanto à necessidade da manutenção do fluxo de produção e exportações para preservar o abastecimento de alimentos no Brasil e nos países importadores”.
A associação disse ainda que “confia em uma rápida solução à operação padrão, especialmente neste momento tão delicado para a situação econômica da população brasileira”.
A Anffa Sindical, que representa os fiscais agropecuários, não comentou o assunto imediatamente.
Ao anunciar o movimento, a entidade havia afirmado que manteria o ritmo normal de trabalho “somente nas atividades que podem afetar diretamente o cidadão, como a liberação de cargas vivas, a fiscalização de bagagens de passageiros e de animais de companhia (pets)”.
Os fiscais federais agropecuários decidiram iniciar a operação “padrão” em todo o país em protesto após a categoria ter sido preterida da inclusão no orçamento de 2022 de um reajuste salarial.
A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), que representa os exportadores de soja e milho, não reportou imediatamente problemas devido ao movimento dos fiscais.
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