Verticalização e internacionalização: possibilidades de crescimento das cooperativas brasileiras
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O segundo dia do Encontro Nacional das Cooperativas Agropecuárias, realizado nesta quarta-feira (17), na cidade de Campinas, contou com um painel que abordou possibilidades de crescimento das cooperativas brasileiras. A conversa, mediada por Marcelo Prado, abrangeu dois cenários possíveis e fundamentais atualmente: a verticalização e a internacionalização. Participaram da discussão, com exemplos práticos, lideranças de diferentes cooperativas do país.
De início, Alexandre Andrade, presidente da Cooperativa do Agronegócio dos Fornecedores de Cana (Coaf), falou sobre a expansão da cooperativa ao assumir a administração de usinas antes desativas no estado do Pernambuco. No ano de 2014, a Coaf arrendou a usina Pumaty, em Joaquim Nabuco, que estava fechada. A iniciativa reativou a unidade fabril e permitiu que os canavieiros tivessem como produzir e comercializar a sua produção.
O projeto de cooperativismo no segmento industrial continuou avançando quando a Coaf arrendou, em 2015, mais uma usina, dessa vez a antiga Cruangi, em Timbaúba, também no estado pernambucano. Dessa forma, foi possível gerar um maior valor agregado à produção dos canavieiros do Pernambuco, que hoje conseguem fazer negócios com preços diferenciados a nível nacional, conforme afirmou Andrade.
Em seguida, Vanir Zanatta, presidente da Cooperja, detalhou como a cooperativa verticalizou sua produção para conseguir alcançar novos patamares. Antes, o que se limitava apenas à lavoura de arroz, começou a crescer com a instalação de silos para um grupo de 117 agricultores, em Santa Catarina. A expansão começou a chegar a níveis maiores na década de 80 com a criação de marcas, agregando valor ao produto. Nos anos 90, a ampliação do negócio prosseguiu com a inauguração de mercados pertencestes à cooperativa.
Mais recentemente, as atividades continuam em expansão com a criação de lojas agropecuárias, centros de distribuição pelo Brasil, assistência técnica aos produtores, desenvolvimento de subprodutos do arroz, realização de eventos e, além disso, o investimento em outras culturas como milho, soja e fruticultura.
Na sequência a conversa focou na internacionalização das cooperativas. José Marcos Magalhães, presidente da Minasul, afirmou primeiro ser essencial a presença de um consultor de culturas, uma pessoa que vai entender dos costumes e hábitos da população de outros países. Para alcançar mercados internacionalmente, ele acredita ser elementar o conhecimento de como são as coisas no outro país. Por exemplo, ao chegar nos Estados Unidos, a Minasul precisou lidar com problemas logísticos, enquanto que na Europa, a demonstração dos sabores dos cafés essenciais foi a chave para conquistar espaço.
Conhecer a outra cultura é tão importante, pois, como explicou Magalhães, foi fundamental para a Minasul saber que hoje o café é uma bebida de luxo na China. “Café passou a ser um luxo. Eles tomam como ostentação”, declarou. Por isso, o primeiro passou deve ser o conhecimento da necessidade do mercado do outro país.
Por fim, foi a vez de tomar a palavra Rodrigo Rodrigues, coordenador de vendas da Koppert Brasil, empresa de origem holandesa, que produz biológicos para adubação do solo. Na mesma linha que Magalhães, ele afirmou que, para chegar a outros países, é primordial conhecer quais são as necessidades dos produtores. “A internacionalização vai além da necessidade do comércio, passa também pela necessidade da cultura”, disse Herrmann. Segundo ele, a Koppert somente conseguiu se expandir e se tornar uma multinacional por saber do que precisam os agricultores das nações onde a empresa se instala.
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