Ocorrência do encarquilhamento do arroz em lavouras irrigadas no Brasil
Na safra 2018/19, sintomas que lembravam toxidez por herbicida, como falhas no estande, amarelecimento severo e nanismo, foram observados em plantas de arroz em Goiás, Tocantins e Santa Catarina, causando alarme entre os produtores. Muitas plantas apresentavam também listras nas folhas e deformação (encarquilhamento) de folhas e panículas. Os sintomas eram causados pelo vírus do encarquilhamento do arroz (RSNV), um vírus que ocorre no Oeste da África e nas Américas Central e do Sul e que, no Brasil, somente tinha sido relatado até então na Região Sul.
O RSNV é um vírus transmitido por Polymyxa graminis, um microrganismo que infecta as raízes de gramíneas. Após se multiplicar no interior das células da planta, o polymyxa libera esporos flagelados (zoósporos), que se movem no solo através da água e que levam o vírus de uma planta para outra.
O polymyxa também produz esporos de resistência que podem permanecer dormentes por muitos anos, tanto no solo como nas células das raízes. Sob condições favoráveis, os esporos de resistência dão origem a novos zoósporos, que reiniciam o ciclo da doença.
O RSNV não é transmitido por sementes, mas os esporos de resistência podem ser carregados como contaminantes de sementes de baixa qualidade sanitária.
Falha no estande, amarelecimento e nanismo que podem ser confundidos com toxidez por herbicida. Fotos: Leandro Pimenta, Embrapa
Listras amarelas ou brancas no sentido das nervuras e encarquilhamento de folhas e panículas. Fotos: Douglas Lau, Embrapa
Recomendações de manejo da doença
Exclusão
- Evitar o plantio de arroz em áreas com histórico da doença.
- Evitar a entrada do RSNV na área: usar sementes certificadas, limpar e desinfestar máquinas e implementos e evitar o movimento de água entre áreas.
Práticas culturais
- Fazer rotação de culturas.
- Se a doença já estiver instalada, manejar a adubação e a irrigação intermitente, a fim de aumentar o perfilhamento e compensar a redução do estande.
- Resistência: Não há cultivares de arroz resistentes ao RSNV.
No Brasil, as áreas identificadas com a doença até o momento são irrigadas. Entretanto, na África, a doença ocorre em arroz de sequeiro e, no Brasil, um vírus parente do RSNV (e também transmitido pelo polymyxa) ocorre em trigo. Portanto, produtores de arroz de terras altas também devem estar atentos.
Avanço da pesquisa no conhecimento da doença
Pesquisadores da Embrapa, em colaboração com pesquisadores da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), Universidade Federal de Goiás (UFG), Universidade de Brasília (UnB) e Universidade Federal do Tocantins (UFT), descreveram pela primeira vez o genoma de isolados brasileiros do RSNV. O conhecimento da variabilidade do vírus nas regiões produtoras contribui para o controle, incluindo o desenvolvimento de cultivares resistentes. E é isso que o programa de melhoramento de arroz da Embrapa está fazendo. Além disso, outro projeto da Embrapa, o ExploArroz, está desenvolvendo metodologias de avaliação em larga escala da resistência de cultivares e variedades de arroz a esse vírus.
Para saber mais sobre os estudos relacionados ao RSNV, entre em contato com a Embrapa pelo e-mail: [email protected] ; e, para assessorá-lo na lavoura, consulte sempre um Engenheiro Agrônomo de sua confiança.
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